Entrevista: Contra as privatizações -Romeu – Presidente do Sindicato dos Metroviários de MG

Belo Horizonte, Recife, Distrito Federal e todas as cidades que estão sob a gestão Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), correm o mesmo risco de integrarem o projeto de privatização anunciado pelo governo Bolsonaro.

Mas e aí? Por que a privatização do metrô afeta a sua vida? Por que muitas pessoas são contrárias às privatizações de uma forma geral?

Para falar especificamente desse projeto de desmonte do transporte público no Brasil e do impacto do metrô da capital mineira (que hoje recebe milhares de turistas e usuários diariamente), o presidente do Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais, Romeu José Machado Neto, explica porque, independentemente da nossa cidade, temos que lutar pelos bens públicos.

A privatização do metrô é um projeto nacional? Como ela (privatização) vai impactar a vida dos usuários em todo país?

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que opera em vários estados, está ameaçada dentro do plano do atual governo de privatização, não só para Belo Horizonte, mas em outras cidades como, por exemplo, Recife. Isso é um projeto de governo que quer transferir para a iniciativa privada uma responsabilidade que é do Estado. O serviço público de transporte tem que ser prestado pelo governo. Isso é uma obrigação que está na constituição e é um direito social.

Comparativamente seria a mesma coisa que cobrar consulta no Sistema Único de Saúde. Está no mesmo “hall” da Constituição com os direitos básicos do cidadão.

 Privatizando, ou seja, passando o metrô para a iniciativa privada, o governo vende a ilusão de que o serviço vai melhorar, que de o metrô vai expandir. Na verdade isso pode até pode acontecer, mas o que o governo não está fazendo, como gestor, é alocar recursos e dar dinheiro para a iniciativa privada para cumprir um papel que é seu.

 A ideia é que todos “caiam na conversa do governo de que “privatizou melhorou, expandiu, modernizou”. Isso já aconteceu em outros estados, mas é sempre uma enganação porque o dinheiro é do povo. O dinheiro que o governo vai passar para a iniciativa privada fazer alguma coisa é o mesmo dinheiro que o governo poderia usar agora com a CBTU, sob o comando dele. Mas os acordos que o governo faz com o capital privado para poder pagar uma conta que foi feita lá atrás nas eleições.

Como seria esse modelo de privatização previsto para o metrô de cidades como Belo Horizonte?

 Nos modelos de concessão que foram feitos no Brasil o dinheiro é 100% público. O que difere é que parte dele é investimento, ou seja, o governo vai tirar o dinheiro sem nenhuma contrapartida da iniciativa privada para bancar a obra.

 Em um outro modelo, seria feito um financiamento, ou seja, uma parte o governo vai financiar para a empresa concessionária. Mas essa parte a ser financiada é uma pequena parcela, e eu falo para vocês, não existem condições melhores, eu arrisco dizer que nenhum cidadão comum conseguiria melhores condições de financiamento do que as oferecidas pelo Estado para as empresas privadas para esse modelo de concessão.

Quais são os prejuízos reais que a privatização pode trazer aos usuários?

Diferente do poder público o capital visa ao lucro. A experiência de privatizações pelo mundo mostra que a qualidade serviço cai, a própria segurança no sistema cai, o tratamento com o usuário piora muito e, principalmente, o sistema privado vai continuar precisando do subsídio público para fornecer o serviço ao cidadão. Ou seja, não é possível, em nenhum lugar do mundo, tirar da tarifa do metrô, na bilheteria,   dinheiro e os recursos necessários para manter e muito menos para ampliar o sistema.

Por isso é prejuízo para a população de todas as formas, porque o usuário vai ter que continuar a pagar a conta. Conta essa mais cara, porque a iniciativa privada vai ter que somar o valor normal da passagem ao lucro do empresário. Ou seja, privatizar é sinônimo de prejuízos.

O que o Sindimetro tem feito para conscientizar a pessoas contra o processo de privatização?

A gente está criando comitês regionais, participamos de um comitê nacional que discute as estatais que estão sob o risco de privatização e também estamos convocando os parlamentares que estão alinhados conosco para a realização de audiências públicas, sejam elas nas Câmaras Municipais, sejam nas Assembleias ou no Congresso Nacional.

 A gente está mobilizando e convocando toda a sociedade a participar porque o está sendo entregue é um bem do povo. É um patrimônio que é público, um serviço que é uma obrigação do Estado e está sendo entregue à iniciativa privada.

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