GREVE GERAL reúne milhares de pessoas em Juiz de Fora contra a reforma da Previdência de Bolsonaro

    Trabalhadores paralisaram as atividades e se uniram a estudantes em um grande ato no centro da cidade

    Trabalhadores da educação, bancários, servidores municipais e de outras categorias cruzaram os braços em Juiz de Fora para aderir à grande Greve Geral, que acontece em todo país nesta sexta-feira (14/06). Durante ato, realizado no Calçadão Halfeld, a população da cidade mostrou que não aceita as medidas de ataque aos direitos da classe trabalhadora e da juventude propostas governo Bolsonaro. Para algumas categorias há ainda a discussão de que a paralisação seja mantida.

    O ato, que reuniu milhares de pessoas na cidade, aconteceu um dia após o anúncio do governo de que mudaria quatro pontos no projeto de reforma da Previdência.  Mesmo com o anúncio do governo de que fará mudanças no texto em pontos como a redução da idade para aposentadoria das professoras, que deverá ser de 57 anos, além da retirada do Benefício de Prestação Continuada e a mudança na aposentadoria rural, a população foi às ruas para dizer não a proposta e não ao cortes na educação.

    Na cidade da Zona da Mata, integraram a paralisação a Central Única dos Trabalhadores, a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Também participaram a UNE, a Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (Fenet), o DCE da UFJF e o grêmio estudantil do IF Sudeste, além de diversas outras entidades do movimento social organizado.

    No ato da Greve Geral, as vozes da rua diziam não à reforma da Previdência, aos cortes na educação, a luta por nenhum direito a menos e pela liberdade de Lula. “Está muito claro para nós o que está acontecendo nesse desgoverno Bolsonaro. Ele quer emplacar uma reforma da Previdência cruel para os trabalhadores e transformar o que hoje é uma previdência pública, solidária, de repartição entre gerações em uma capitalização individual”, afirmou Betão.

    Durante o ato em Juiz de Fora, o deputado lembrou que caso seja aprovado o texto original, somente o trabalhador será amplamente prejudicado. “O patrão não vai mais precisar contribuir. Estudos já mostraram que se o trabalhador, nesse regime, contribuir sobre um salário mínimo durante 40 anos, ele vai se aposentar com 250 reais. É uma reforma que favorece os banqueiros, rentistas e grandes empresários e só vem para atacar a população mais pobre”, reforçou.

    Os vazamentos de conversas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, veiculados pelo The Intercept Brasil, também tiveram peso importante nas falas de entidades, sindicatos e partidos presentes. “A pauta Lula Livre deve estar na ordem do dia. Fica evidente a partir desses vazamentos que tiraram Lula do páreo para que Bolsonaro ganhasse as eleições e pudesse aplicar a reforma da Previdência”, enfatizou Betão.

    Para Cosme Nogueira, presidente da Federação Estadual Única e Democrática dos Sindicatos de Servidores (Feserp-MG) os servidores públicos municipais mostraram que são de luta e marcaram presença em massa na manifestação, paralisando as atividades. “Hoje nós amanhecemos o dia percorrendo os locais de trabalho. Estivemos nas garagens do Demlurb, da Secretaria de Obras e da Empav. Essa última com 100% de paralisação dos trabalhadores. Agora o trabalho é a luta contra a reforma da Previdência, contra os cortes na educação e por uma país mais livre e soberano”, afirma.

    Flávio Bitarello, coordenador do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora, lembra que esse foi um primeiro passo, mas deve haver mobilização para outras greves gerais. “Nós temos que continuar mobilizados para derrotar essa reforma da Previdência e manter o regime de repartição simples e solidária. Nós sabemos quem ganha com o regime de capitalização: os bancos, é o mercado financeiro.”

    Para Flávio, a reforma trabalhista de Temer também não deve ser esquecida. “Ela (a reforma trabalhista), enfraqueceu o movimento sindical e as organizações de trabalhadores e também introduziu a precarização do trabalho e por isso de ser revogada. Nossa luta é longa e nós não podemos sair das ruas. E vamos libertar Lula! Essa luta também é por Lula Livre!”, finalizou.

    Watuira Antônio de Oliveira, presidente do Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora, enfatiza a importância da greve partir da vontade de luta da própria base. “Normalmente, nós bancários falamos pros trabalhadores nas portas dos bancos, com o intuito de convencê-lo a lutar. Hoje isso não foi necessário. Uma boa parte da categoria paralisou as atividades espontaneamente.”

    Ele lembra ainda que já há poucos bancários atualmente na cidade e com a paralisação o impacto no giro da economia será sentido de forma clara. “A gente entende que hoje é um dia luta no qual o objetivo é dar prejuízo para o patrão. Afinal, se não há prejuízo para o patrão, não há conversa. Por isso estamos fazendo nosso apelo para que todas as categorias se unam na luta contra a reforma da Previdência, contra a reforma trabalhista, contra os cortes na educação. A gente tem que lembrar também dessa juventude que abraçou a luta e está conosco”, finaliza.

    “Toda greve existe, de fato, para incomodar e dizer que a classe trabalhadora não está aceitando o que está em discussão. Os trabalhadores estão dando uma resposta negativa à reforma da Previdência e aos cortes de Bolsonaro”, lembra Cida Oliveira, representante da direção nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Cida afirma ainda que somente parando a produção, o patrão vai perceber que é preciso respeitar e ouvir o trabalhador. “É isso que estamos fazendo pelo Brasil. Uma grande greve em que todas as categorias cruzaram os braços em resposta a essa reforma. Queremos a manutenção da Previdência pública e que essa luta não pare hoje. A intenção é chamar uma nova greve e continuar mostrando que não aceitamos nenhum direito a menos”, completa.

    Na capital mineira marchas tomam conta da região central

    Em Belo Horizonte, o dia começou com o metrô fechado e com protestos no anel rodoviário, onde manifestantes queimaram pneus. Na região central várias marchas se encontraram na Praça Afonso Arinos ao som de gritos de guerra como “eu não abro mão, da Previdência e da educação”. Rumo à Praça da Estação, também na região central, estima-se que cerca de 250 mil pessoas, dentre elas estudantes, sindicatos, centrais sindicais, trabalhadores e sociedade civil, percorreram as ruas da capital mineira em protesto contra o governo Bolsonaro.

    Ricardo Lemos, petroleiro e trabalhador da Refinaria Gabriel Passos, chegou cedo para marcar presença. Para ele a Greve Geral é uma continuidade dos protestos do dia 15 e 30 de maio, e que deve ser levada a sério pelos trabalhadores. “Hoje eu estou aqui como trabalhador, aderindo a greve que reflete a luta geral da população contra os desmandos do governo, contra a reforma da Previdência. Lutamos principalmente contra o desmantelamento da Petrobras e a venda anunciada de oito da 13 refinarias e das subsidiárias. É uma causa geral do povo brasileiro e é importante que todos parem o Brasil. Um dia só não causará o impacto necessário para mudar”, afirmou.

    Quem também chegou cedo e fez questão de aderir a greve geral é a ambulante Fabíola Ariane, vendedora de rua há uma década. Como mãe de dois filhos e trabalhadora informal era lamenta que emprego e educação seja tão atacados no país. “Os governos estão querendo tirar muitas coisas boas, que já foram conquistadas. Em Minas Gerais é a escola em tempo integral, que tem mãe que tem precisa para sair de casa e ter condições de trabalhar. No país tem essa reforma da Previdência que só dificulta a vida dos trabalhadores. Vim porque não concordo com nada do governo Bolsonaro. Eu falo para os meus filhos, que a educação é o que ajuda o Brasil melhorar, e sem acesso à educação ninguém vence”, disse convocando a todos para aderirem à greve. “Temos que nos unir, tem gente hoje trabalhando hoje e eu não concordo. Porque se não pressionarmos o número de desempregados vai aumentar”.

    Outro que também teme pela piora do cenário político e econômico do país é Maurício Heleno, que há 8 anos trabalha nos Correios. Ele foi ao ato uniformizado mas deixou claro que a sua causa é a causa do povo brasileiro. “O ato de hoje é unificado. A nossa greve é contra os cortes dos direitos dos trabalhadores e a privatização das estatais. Esse momento que estamos vivendo é muito ruim, para vários setores, porque além de cortarem investimentos, estão querendo tirar direitos já conquistados”.

    Mesmo sem ter ingressado no mercado de trabalho, a estudante de Viçosa, presente no ato de hoje da capital mineira, Marcela Souza, veio representar os estudantes do ensino técnico. Ela teme que sem educação, haja uma precarização da mão de obra e uma grande dificuldade em acesso ao mercado de trabalho. “Sou contra a reforma da previdência e contra a forma como o governo enxerga os estudantes. Sem educação não evoluímos. Tudo me preocupa porque as vezes até conseguimos um emprego, mas e quando a gente vai se aposentar?”, diz.

    Com a bandeira de Lula na mão, Luciano Santos de Oliveira lembra a época do governo do ex-presidente e diz que hoje, sente medo do futuro. “Eu vim cá lutar por uma moradia digna. Há um ano eu integro o Movimento de Luta dos Bairros, Vilas e Favelas, porque fiquei desempregado e não tenho como pagar aluguel. Hoje moro em um prédio ocupado por outras pessoas que estão na mesmas condições que eu. Estou aqui para lutar por melhores condições de vida”, disse lembrando que assim como Betão tem falado, não há necessidade de se fazer a reforma da Previdência. “Porque reformar? Eu não acredito que aqui não tem dinheiro, a nossa luta é para que esse projeto não vá pra frente”, finalizou.

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