Audiência pública discute Reforma da Previdência; Betão reforça “a proposta é para atender aos interesses dos banqueiros a acionistas. Não aceitaremos”

Representantes dos sindicatos, professores, profissionais da educação e pesquisadores se reuniram na tarde desta quinta-feira (11/04) para debater os prejuízos da aprovação da reforma da Previdência para trabalhadores do setor. A discussão foi conduzida por Betão, vice-presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, deputado Betão (PT) e presidente da Comissão, deputada Beatriz Cerqueira.

“Tenho percorrido várias cidades mineiras levando informação às pessoas de que a reforma só atenderá aos interesses dos banqueiros a acionistas. Esses acionistas querem é colocar a mão em trilhões de reais, que por direito, são dos trabalhadores. Não vamos deixar que a proposta de Reforma da Previdência avance. Não podemos aceitar um projeto que prevê a capitalização, onde o empregado pagará 10% e o patrão não pagará nada”, disse Betão lembrando que diferente do que é divulgado, não há défict da previdência.

 

O economista do Dieese, Frederico Luiz Barbosa de Melo foi categórico: “os impactos da Reforma da Previdência e dessas políticas de desmonte que estão sendo propostas para o país vão incidir diretamente sobre a sociedade. Quando isso acontece o impacto é direto na escola, por isso é fundamental a gente trazer para aqui essa discussão. Todas as classes serão prejudicadas, faço questão de falar”, abriu a fala

Frederico disse também que além do aumento do tempo de contribuição e das dificuldades para se conseguir a aposentadoria integral é importante informar às pessoas outros pontos negativos. “As pessoas têm que saber que no texto da proposta está previsto que os benefícios perderão a garantia de reajustes de acordo com a inflação, podendo ficar congelado. Outra informação importante é que as regras de transição também são muito duras, particularmente com os professores e as professoras. Existem também proibições ou reduções no caso de acúmulo de benefícios. No caso do regime próprio a alíquota de contribuição passa automaticamente para os estados e municípios para 14%, ou seja um aumento da contribuição da Previdência. Ou seja, só ponto negativo para os trabalhadores”, fez questão de falar.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Heleno Manoel Gomes Araújo Filho hoje os trabalhadores da educação pública do país já vem sofrendo dentro de um contexto de perdas e ataques. Ele afirma que a Reforma da Previdência será a coroação do desmonte. “O magistério, em especial as professoras, será a categoria profissional mais atingida pela Reforma da Previdência. O discurso do presidente hoje é para atacar professores com o projeto Escola sem Partido, mandando nos filmar e denunciar. Nos coletivos de trabalhadores desse país não vamos permitir que isso aconteça”, disse lembrando que no site da Confederação tem uma proposta de combate à reforma e que próximo dia 15 de maio, haverá uma greve geral dos trabalhadores.

“Nos temos que sair daqui com uma coragem brutal porque somos trabalhadores organizados e que nós temos essa capacidade de lutar”, acredita a coordenadora do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro JF), Aparecida de Oliveira Pinto. Ela lembra que desde o golpe contra a presidenta Dilma, o Brasil tem vivenciado um cenário de retrocessos. “Desde 31 de agosto de 2016, a classe trabalhadora desse país vem sofrendo sucessivos ataques em relação aos nossos direitos. O que a gente vê é a realização de reformas como a trabalhista, que foi vendida como para aumentar empregos. Mentira, ela só retira direitos e hoje, no Brasil, temos 14 milhões de desempregados. Mas não vamos aceitar isso parados, calados, vamos nos mobilizar contra essa nova reforma”, explica lembrando que dentro do cenário de retrocessos temos ainda a Lei da Terceirização e a Emenda Constitucional 85, que congela os gastos com saúde e educação.

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