Dia Mundial do Meio Ambiente em Juiz de Fora é marcado por protesto e conscientização

Ato no Calçadão reuniu movimentos sociais, coletivos e entidades que atuam pela preservação do meio ambiente

Movimentos sociais, coletivos e entidades que atuam na preservação do meio ambiente se reuniram em um ato na tarde desta quarta-feira, (5/6), em Juiz de Fora, para lembrar do Dia Mundial do Meio Ambiente. Com o tema “Nada a Comemorar”, o ato contou com manifestações ativistas, pedagógicas e artísticas que atraíram a atenção de quem passava em frente ao Cine Theatro Central, no coração da cidade. A iniciativa, nacionalmente organizada pelo coletivo Observatório da Educação Ambiental (OBSERVARE), foi do Grupo de Educação Ambiental (GEA), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Na data, Betão lembrou que nos últimos meses algumas medidas anunciadas pelo governo Bolsonaro refletem o desmonte de políticas públicas voltadas à preservação do meio ambiente, e que isso é uma questão que deve ser combatida com urgência. “No sexto mês de governo assistimos a uma série de retrocessos como a menor fiscalização e ações que restringem e reduzem a participação de movimentos sociais ligados à causa ambiental”.

O deputado lembrou ainda que do começo do ano até agora, houve um avanço na liberação de agrotóxicos no Brasil. “Houve a liberação de 169 agrotóxicos e também o incentivo ao plantio de transgênicos. Em Minas Gerais o avanço da mineração promovido pela Vale põe em risco não só o meio ambiente, mas a vida de trabalhadores, como nos crimes ambientais ocorridos em Mariana e Brumadinho”, afirma.

Presente no ato, Angélica Cosenza, representante do Grupo de Educação Ambiental da UFJF e professora da Instituição afirma, “nosso objetivo é denunciar o desmonte ambiental no Brasil, sobretudo a partir do governo Bolsonaro”. Angélica lembra que o atual momento do setor ambiental pode ser pensado partindo de três eixos, a fragilização do aparato legal, a perda dos mecanismos de gestão e a desqualificação que o governo dá aos ambientalistas. “Leis de unidades de conservação, territórios indígenas, e de regulação da mineração estão sendo desmontadas. Além disso, órgãos que regulam a gestão ambiental pública estão sendo fragilizados, trabalhadores sendo exonerados e perseguidos”, explica.

A professora cita ainda que “um exemplo é a diminuição de 96 para 23 membros do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que passa a contar com poucos membros da sociedade civil, o que dá o controle ambiental para um governo que atua em favor dos interesses do agronegócio, da mineração e de grandes forças econômicas”, completa.

O catador de materiais recicláveis José Rubens da Rocha conta que a Associação Lixo Certo (ALICER), da qual faz parte, tem feito intervenções em escolas e condomínios, levando a conscientização sobre a preservação do meio ambiente e sobre o trabalho dos catadores. “Temos que intensificar a campanha de preservação do meio ambiente, porque o meio ambiente somos nós. Temos que lembrar também que é importante a colaboração de toda a população para valorizar o trabalho do catador, não incinerando os resíduos, que podem ser recicláveis e gerar renda. Hoje estamos aqui junto à universidade e aos movimentos que organizaram esse ato para fazer um chamado para a rapaziada”, contou.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também marcou presença no ato, lembrando da importância da luta do trabalhador do campo e de como o movimento sempre atuou pela preservação ambiental em suas atividades. Para Ney Zavaski, coordenador estadual do MST, “algumas pessoas ainda vivem sem pensar nos filhos e netos da população brasileira, e por isso continuam destruindo, ‘calculando quanto vale a vida do trabalhador’, para poder continuar explorando”, disse lembrando os crimes ambientais cometidos pela Vale em Mariana e Brumadinho.

“Nós, trabalhadores do campo, dependemos do meio ambiente preservado para que a gente viva. Estamos aqui para somar à luta de todos aqueles e aquelas que queiram defender o meio ambiente e um Brasil que seja realmente para os brasileiros e não para as transnacionais e para o capital financeiro internacional”, finaliza.

Mata do Krambeck pode ser transformada em Parque Estadual

Uma das maiores reservas de Mata Atlântica em área urbana do país, a Mata do Krambeck pode ser transformada em parque público a partir da ação de entidades como o Instituto Estadual de Florestas (IEF). A Mata já é Área de Proteção Ambiental (APA), instituída por meio da Lei Estadual 10.943 de 1992, porém é impedida de ter acesso público por se tratar de espaço privado. O IEF aguarda manifestação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Ensino Superior (Sedects) para que o processo tenha andamento e siga os trâmites legais para que o decreto finalmente seja assinado pelo governador Romeu Zema.

“Em 2018 fizemos uma consulta pública para a criação do Parque Estadual do Krambeck, para que pudéssemos transformar o espaço em parque público por meio da lei que criou a APA. O assunto voltou à tona depois do caso do aparecimento da onça-pintada no Jardim Botânico da UFJF e da consequente necessidade de preservação da área”, disse o gerente da APA da Mata do Krambeck, Arthur Valente. Segundo Arthur, “a lei já autorizou o executivo a criar o parque e esperamos que esse decreto seja assinado o quanto antes”, finalizou.

Um dos responsáveis pelo estande do Instituto Estadual de Florestas e diretor do Sindicato dos Servidores Estaduais de Meio Ambiente, Arthur também é membro do primeiro sindicato exclusivo da categoria em todo o país. No dia de hoje ele compôs uma ação conjunta aos ambientalistas no Parque Halfeld e comentou a necessidade de mobilização contra o atual momento do setor ambiental no país. “São muitos retrocessos. São ataques à segurança hídrica, alimentar e a saúde pública com a liberação de mais agrotóxicos. Vemos pessoas no campo morrendo por exposição prolongada a esses agrotóxicos, a diminuição do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Vemos um governo lobista do agronegócio e da mineração, que assedia os servidores e flexibiliza as normas fiscalizatórias. Temos que nos organizar e preparar a luta em defesa do meio ambiente e de um desenvolvimento sustentável”, finaliza.

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