Betão fala da resistência do trabalhador durante a Fogueira de São Pedro

Evento realizado há quase 5 décadas em Espera Feliz reflete a cultura de um povo ligado à fé, à agricultura familiar e orgânica e a valorização do trabalhador rural

Imagine um evento que teve origem há 47 anos para cumprir a promessa de uma família em busca da cura de um filho. Sebastião Farinhada conta que a Fogueira de São Pedro, realizada no assentamento Padre Jésus, em Espera Feliz, foi idealizada pela sua mãe, que após ir à Aparecida do Norte, fez uma promessa para cura de um irmão. Hoje, além de um evento tradicional do assentamento, a Fogueira é reflexo de uma comunidade que desde 2009 se reuniu para valorizar a produção de mulheres agricultoras, a fé, a produção orgânica, a valorização dos trabalhadores e do povo rural.

Neste ano, o evento conta com uma novidade: uma programação especial ao longo do dia com diálogo, cultura, troca de experiências e quitandas para venda dos produtos feitos por uma cooperativa de mulheres. “Tudo que vocês estão consumindo aqui foi plantado e desenvolvido pelos moradores dessa comunidade.É tudo orgânico e livre de agrotóxico e de graça, porque na nossa festa ninguém paga para comer”, conta orgulhoso Farinhada, chamando para o almoço comunitário.

Após um pai nosso e uma ave-maria para atrair boas energias e agradecer o alimento, foi realizada uma roda de conversa, que contou com a participação do deputado Betão. Muitos olhares atentos escutavam os relatos do deputado sobre acontecimentos de terras distantes, como a Venezuela e a França. Apesar da distância, Betão contou que a luta dos trabalhadores é universal e que o atual momento é de resistência em tudo mundo contra todo e qualquer projeto de retirada dos direitos dos trabalhadores. “Como nós chegamos a essa situação de desgoverno do Bolsonaro, que defende uma reforma da Previdência que prejudicará a todos os trabalhadores, e é claro a população rural, que terá que trabalhar mais para se aposentar? É importante a gente entender que o mundo está em crise e a classe trabalhadora, em todos os setores tem que se unir contra as privatizações, contra aos ataques dos trabalhadores e contra toda a retirada de direitos”, explicou atentamente.

Uma das pessoas que ouviu Betão falar atentamente foi Mayô Patachó, representante da Associação Terapeuta das Culturas Tradicionais, que atua com um grupo de mais de 50 pessoas na região. Mayô conta que seu trabalho é voltado para a as terapias indígenas, com o resgate da cultura agrícola com rodas de terapias, além do desenvolvimento de um trabalho com as universidades da região para o cultivo e produção. “A comida é energia e a gente trabalha com terapias indígenas, com a produção da mandioca ancestral, com a valorização da ancestralidade”, conta. Apesar de estar encantada com o evento, Patachó confessa, “estou muito preocupada com a reforma da Previdência e o que esse atual governo está fazendo com o povo indígena”, reforçou.  

Luta de uma comunidade que valoriza a produção das mulheres

De um lado para outro, Fernanda Estevão checa se todos os detalhes do dia de atividades estão corretos. Vai de uma barraca a outra, verifica os produtos, conversa com todos e participa do canto e da dança. No dia a dia ela também tem esse zelo, e como  Presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Município de Espera Feliz ela conta orgulhosa que como a comunidade tem se desenvolvido. “Temos uma cooperativa com 22 mulheres, a Raízes da Terra, que reúne mulheres e trabalhadoras da comunidade que valorizam a agricultura orgânica e a produção familiar. A gente organiza e trabalha a comercialização desses produtos para a merenda escolar e também incentiva a diversificação da economia”, conta.

Mulheres como dona Armezida da Silva Firmino que deste 2011, data de formação da cooperativa Raízes da Terra, atua com a produção e comercialização de produtos naturais. Na barraca montada paro evento ela mostra os panos de prato, os alimentos naturais e confessa que não é a única da família a participar do projeto. “Eu, minha filha e minhas netas estamos na Raízes da Terra, e para gente é muito importante esse espaço de produção”, finaliza.

A roda de conversa e o almoço comunitário voltado para os participantes a as cerca de 40 famílias que moram no assentamento foram uma das atividades. A expectativa é que cerca de mil pessoas tenham comparecido ao evento. À noite aconteceu a tradicional Fogueira de São Pedro, regada a música fé e boa comida. “Tudo que foi produzido para hoje, da rapadura que fez o pé de moleque, e tudo que comemos vem da produção dos moradores. Desde 2009 quando nós começamos a comunidade, nós incentivamos a produção orgânica porque o alimento é energia e valorizamos a produção natural e livre de agrotóxico”, finaliza Farinhada. 

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