Troca de Saberes reforça aproximação entre o campo e universidade e a importância de políticas públicas para a agroecologia em Minas

    Evento ganhou mais um instrumento de apoio, o Polo Agroecológico da Zona da Mata; mandato do Betão participa reforçando a atuação popular

    Alunos, professores, agricultores, povos e comunidades tradicionais e movimentos sociais de diversas regiões do estado participaram até o dia 15 de julho da 11ª Troca de Saberes, evento da Universidade Federal de Viçosa (UFV), organizado pelo Núcleo de Educação no Campo e Agroecologia.

    O mandato do Betão marcou presença com a realização de uma roda de conversa da Rede de Saberes dos Povos Quilombolas (SAPOQUI), mediada pelo companheiro Sebastião Farinhada. O evento integrou a programação das atividades nas instalações artístico-pedagógicas, que contou com diversas rodas de conversas e trocas de experiências sobre a agroecologia. “Muito importante essa aproximação de culturas e também essa troca de experiência. Falamos sobre a produção no campo, contra o uso de agrotóxicos e também do fortalecimento da agroecologia na Zona da Mata”, disse Farinhada.  

    A Troca de Saberes acontece com o apoio de diversos parceiros, dentre eles o Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata. O evento é ao ar livre, e acontece no gramado da UFV, com o objetivo de facilitar o diálogo e a troca de saberes entre o conhecimento científico e o conhecimento popular. A programação contou ainda com a realização de mística, com atividades nas instalações artístico-pedagógicas, além de palestras e oficinas. O evento conta também  com o  lançamento do  Pólo Agroecológico da Zona da Mata, estrutura de promoção e incentivo do desenvolvimento da agroecologia e da produção orgânica na região.  

    Neste domingo, o mandato marcou presença, por meio do assessores Laércio Manoel, Renata Cardoso e do Farinhada, da  chamada “Peneirinha da Articulação Mineira de Agroecologia. 

    Ficou definida a criação de uma “Frente Parlamentar da Agricultura Familiar e Agroecologia” no âmbito da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, com indicativo de lançamento ainda para o mês de agosto.  “A idéia da Frente é unir esforços para combater e frear as ações  Governo de Minas e do Governo Federal de promoção e de desmonte das políticas públicas voltadas para a agricultura familiar. Não podemos deixar que mais agrotóxicos sejam liberados e por isso temos que articular iniciativas como essas que valorizem e fortaleçam a agroecologia em Minas Gerais”, acredita Betão.  

    Também ficou definida a realização de uma grande audiência pública na ALMG sobre a Agricultura Familiar e a realização de capacitações das organizações sobre alguns temas, tais como a atuação nas discussões do PPAG, Processo Legislativo e outros.  Por ultimo, foi apresentada uma proposta de calendário de ações da AMA nos territórios para a concretização do Polo Agroecológico.

    Para Irene Maria Cardoso, professora da Universidade Federal de Viçosa e membro do Núcleo de Educação do Campo e Agroecologia, além de uma das organizadoras do evento, o Troca de Saberes é uma vitrine que mostra as articulações que já são feitas por diversas entidades, universidade e a população, para o desenvolvimento da agroecologia na Zona da Mata. Para ela, o lançamento do Pólo, iniciativa inédita reconhecida por meio de lei,  também reforça e valoriza um trabalho feito há mais de 3 décadas na região. 

    “O Troca de Saberes é um momento de celebração de ações que reúnem meio acadêmico e população, ações que já acontecem no dia a dia porque essa troca de experiência vem sendo frequente. O lançamento do Pólo Agroecológico é, na verdade, o reconhecimento de um trabalho que é feito há mais de 30 anos”, comemora citando que neste ano o número de inscritos foi cerda de 700 pessoas e que ao todo, mais de 2 mil participantes integraram a edição deste ano.

    Yolanda Maulaz, formada em Agronomia pela UFV, participou de 10 das 11 edições do Troca de Saberes. Filha de agricultores, ela conta que a experiência do evento é fundamental para que o campo e o meio acadêmico possam trocar conhecimento e fortalecer a agroecologia. “Para a gente é muito importante essa troca, esse diálogo que fortalece o setor em Minas Gerais. Todos saem ganhando”, finaliza. 

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