Alunos e professores da Escola Estadual Santos Dumont denunciam os problemas da fusão de turmas à comissão de Educação da ALMG

    “Fiquei completamente perdida e sem referência quando descobri que a minha turma sofreria fusão e que eu iria estudar com pessoas que não conhecia. Nós não somos números, somos alunos. Somos além de metros quadrados”, relatou Laura Camilo, 17 anos, para o deputado estadual Betão (PT). Betão e  demais membros da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais visitaram na tarde de hoje a Escola Santos Dumont, em Venda Nova, para verificar as denúncias feitas pela imprensa de problemas com a fusão e superlotação de turmas no local.

    De acordo com a direção foram fechadas sete turmas no segundo semestre deste ano, sendo que no começo do ano eram 1660 alunos e agora são 1574. O processo de fusão sob a alegação de turmas desfalcadas e necessidade de desmembramento e superlotação foi anunciado pela Secretaria de Estado de Educação na semana passada e a previsão é que 225 turmas passem pelos mesmos problemas listados por Laura.

    A estudante não é a única insatisfeita. Junto a ela outros alunos, professores e profissionais da escola também reclamaram da decisão que, segundo eles, foi tomada de forma arbitrária. “Ontem os professores não deram aulas porque eles não estavam preparados para assumir uma turma que não era deles. Isso é um absurdo porque temos uma colega com ataque de pânico que, em uma sala lotada e com alunos desconhecidos, têm ficado isolada”, lamenta lembrando a proximidade do Enem e como isso pode prejudicar no desempenho dos alunos.

    Durante a visita Betão ouviu casos graves de professores com desgaste da voz em função do volume maior de alunos nas salas, além de casos de demissão de três professores e até, em determinados casos, de docentes que tiveram a redução das aulas de 16 para 4. “A fusão de turmas do governo Zema é uma verdadeira barbaridade. Tem alunos cujas as mesas estão na porta e os professores relataram problemas vocais e também desgaste da voz em função da superlotação. Temos também crianças com deficiência, com problemas de audição, em salas inadequadas. A partir dessa visita eu e os demais deputados da comissão reunimos as informações e vamos tentar sensibilizar os demais deputados para que o governo Zema reveja essa decisão”, afirmou Betão que junto aos demais membros da comissão vão produzir um relatório com as informações listadas.

    Apesar das reclamações, a diretora da escola Nayara Caroline disse aos presentes que a decisão não foi tomada de forma arbitrária, e que os representantes das turmas foram ouvidos. Entretanto ela admitiu que apesar da lei, em determinados momentos havia sim uma turma com 42 alunos, diferente dos 40 permitidos por lei. “No começo do ano tivemos sim salas com 42 alunos mas essas já foram desmembradas em duas turmas, uma de 20 e outra com 22 alunos. O que a gente acha que aconteceu é que houve evasão, temos ainda que analisar os dados para dar a todos uma resposta mais completa. O que a gente não pode definir é que isso é culpa da direção, porque a nossa gestão é aberta aos estudantes, não fizemos uma divisão aleatória”, afirmou.

    Profissionais da educação estão preocupados com a fusão

    Quem também lamenta a decisão feita de forma impensada é a professora de História, Sérgia Sapori. Das oito turmas para as quais ela ministrará a disciplina, três não eram dela. “Essa mudança repentina afeta o desempenho pedagógico, principalmente os alunos do terceiro ano que tiveram toda a grade de horário modificada. Eu mesma fiquei com vários conteúdos para os quais eu não me preparei. Isso afeta os meninos que são adolescentes e tem algumas dificuldades em se unirem”, lista.

    Para a coordenadora do Sindicato da Educação de Minas Gerais, Sind-UTE, Denise Romano a forma como o processo foi feito é totalmente equivocada. “Nós somos contra o processo de fusão porque ele foi feito de forma unilateral e é contra o processo pedagógico dos alunos, sem contar que ataca a professores e causa demissão. Uma verdadeira tragédia”, conclui. 

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