Betão defende os trabalhadores rurais durante o lançamento de Frente Parlamentar pela agroecologia

Além do aumento do desemprego no campo causado pelo agronegócio, deputado chamou atenção para o avanço do número de agrotóxicos em Minas Gerais e no Brasil

Um cortejo, que começava na escadaria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais indo em direção ao auditório principal, anunciava o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Agroecologia, da Agricultura Familiar, da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Ao som da mística do companheiro Sebastião Farinhada, “Arroz deu cacho e o feijão floriô, milho na palha, coração cheio de amor”, os participantes cantavam a realidade do povo do campo e firmavam mais um compromisso do estado em unir entidades, parlamentares estaduais e federais e sociedade civil em torno da criação e defesa de políticas públicas pela agroecologia.

Junto a outros deputados, Betão contou um pouco da experiência do mandato junto ao acampamento Padre Jésus, em Espera Feliz; das ações no Polo Agroecológico da Zona da Mata; além da importância de valorizar os trabalhadores rurais e os agricultores familiares, segmentos que para ele são preocupantes. “Minas Gerais está pedindo socorro e de acordo com o último censo do IBGE em 2017, em 11 anos, o Estado aumentou em 60% o universo dos propriedades rurais que passaram a usar defensivos agrícolas nas plantações. Com Bolsonaro no governo o número de agrotóxicos liberados é superior à 260. Por isso, a Frente será um importante instrumento de enfrentamento a essa flexibilização”, disse Betão lembrando que além disso, o mesmo censo mostrou que as propriedades rurais deixaram de empregar 1,5 milhão de pessoas devido à expansão do agronegócio.

Representando a comunidade quilombola, Lucimar de Lourdes Gonçalves Martins, coordenadora geral da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar de Minas deu seu recado. “Mais vale uma mesa saudável do que uma mesa farta. Se não fizermos o enfrentamento e defendermos os produtores rurais, a produção livre dos transgênicos e a soberania alimentar, não teremos alimentação de qualidade. Por isso que o lançamento da Frente é um compromisso com a vida dos brasileiros”, explica Lucimar. 

Para Ester Hoffmann, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra falar em agroecologia é discutir um cenário político, que se complicou após o golpe de 2016, que retirou a ex-presidente Dilma Rousseff. “Para falar da agroecologia é necessário pensar na questão descontração da terra e no modelo produtivo que ela deve ter. Falar em terra produtiva é também falar em produção da vida, portanto precisamos lutar pela agroecologia, dentro de um modelo de terra que produza vida com qualidade”, explicou Ester.

Na lida com a terra, Sebastião Farinhada disse que aprendeu desde cedo a importância da produção do alimento saudável. Na comunidade que vive em Espera Feliz, ele relata que a cultura vivenciada é pela valorização da agroecologia. “Desde pequeno aprendi que o agrotóxico é a morte e quando o homem do campo produz sem esse veneno é a vida. Por isso, eu deixo meu apelo aos governantes para que eles invistam mais na educação popular e na produção das famílias agrícolas, só assim poderemos formar uma juventude que pensa a agroecologia”, disse Sebastião.

Frente lança compromisso com a agricultura familiar e com alimentos livres de agrotóxicos

“Se o campo não planta, a cidade não janta. Se o campo não roça, a cidade não almoça”, após essas palavras de ordem entoada por participantes da mística, a deputada Leninha leu a carta de compromisso da Frente em desenvolver iniciativas para fomento da agroecologia em Minas Gerais. No documento ficou ressaltada a importância da unidade na luta pela valorização do trabalho feito pelos agricultores familiares de Minas Gerais. (leia aqui a carta na íntegra)

"Se o campo não planta, a cidade não janta. Se o campo não roça, a cidade não almoça."

O documento foi lido pela deputada em compromisso às lideranças sociais e pequenos produtores, além de deputadas e deputados estaduais e federais presentes na audiência. Além de Betão, outros deputados foram propositores da Frente, dentre eles Leninha, André Quintão, Dr. Jean Freire, Beatriz Cerqueira, Marília Campos (todos do PT), e Andréia de Jesus (PSOL).

Segundo texto da carta “A frente parlamentar atuará incansavelmente em defesa das conquistas constitucionais e contra qualquer retrocesso em relação às garantias estabelecidas”. Retrocessos estes que preocupam Élido Bonomo, presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais. “Estamos vivendo um momento de desmonte e total destruição das políticas de segurança alimentar e um exemplo disso foi o ataque feito ao Consea em todo país. Se não nos unirmos em iniciativas como a da Frente Parlamentar, que dê conta dessa realidade, viveremos dias piores”, alerta Élido.

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