Betão pede a retomada do diálogo entre sindicatos e a Cemig para discutir a reabertura da base operacional da empresa no São Gabriel

Deputado lembrou que com o discurso de “não eficiência” o governador já fechou cerca de 50 unidades em todo o Estado

"Eu só sairei desta audiência satisfeito se ficar estabelecida a retomada do diálogo entre o sindicato e a diretoria da Cemig para reavaliar a situação dos trabalhadores da unidade. Chega de anúncios de cortes e fechamento de mais bases como a do São Gabriel, em Belo Horizonte, e em outras cidades do interior. Está claro o projeto de desmonte da empresa alavancado pelo governo que vai resultar na apresentação do projeto de recuperação fiscal e na proposta de privatização da Cemig", disse Betão durante a audiência da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social que discutiu o fechamento da base operacional da Cemig no bairro São Gabriel, realizada neste mês. Com a inutilizarão da unidade, a Cemig realizou a transferência dos trabalhadores da base São Gabriel para a base do Anel Rodoviário, na divisa entre BH e Contagem. A medida foi muito criticada devido ao grande tempo de deslocamento que os trabalhadores passaram a ter e o trânsito intenso no Anel, que também dificulta o deslocamento das equipes de atendimento.

Além dos trabalhadores do local, cerca de 1 milhão de pessoas, sobretudo do vetor Norte da Capital, além de outros municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) foram afetados com a mudança.

Durante a audiência, Betão também lembrou que outras cidades sofrem com o fechamento das bases, em especial cidades do interior, como Bom Jardim de Minas, no sul do Estado, cujo atendimento foi transferido para Caxambu, a mais de 100 km de distância. “Isso causa uma desorganização na vida do trabalhador e da população, porque do nada uma base é deslocada por motivos de eficiência. Isso é inadmissível”, disse Betão, que junto aos deputados Celinho do Sintrocel e Beatriz Cerqueira apresentaram requerimentos cobrando providências do governo de Minas Gerais. 

Belini afirmou também que a medida vai gerar economia de R$ 1,2 milhão por ano com gastos como manutenção, limpeza e segurança, dentre outros. Além disso, está prevista a venda do prédio da Cemig, que ficaria em torno de R$ 13 milhões.  O diretor alegou ainda que, mesmo diante dos balanços públicos apresentados à mídia, que apontam lucros significativos da empresa, desde 2003 a Cemig tem apresentando prejuízos.

“Temos R$ 12 bilhões em dívidas, tomados há dois anos, com custo elevado. Perdemos 50% da capacidade de geração, com a perda de outorgas em 2017. Precisamos de R$ 5 bilhões para outras que estão vencendo. Se não cuidarmos, a empresa pode quebrar”, apontou.

Sindicatos reclamam dos ataques da empresa aos consumidores e trabalhadores

"Estima-se que cerca de 50 pequenas bases já tenham sido fechadas no Estado desde o início deste ano, todas sem nenhuma negociação", explica o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores, Jairo Nogueira Filho. Além das cidades citadas por Betão, ele lembra do fim da unidade em Jaboticatubas, que atendia toda a região da Serra do Cipó e, com o fechamento da Unidade São Gabriel, passará para o Anel Rodoviário.

A Cemig está abandonando o vetor Norte”, desabafou, afirmando que a unidade fechada arrecadava  mais de R$ 2 bilhões por ano, sendo, portanto, lucrativa.

Após o fechamento,  muitas foram as reclamações dos consumidores que temem pelo risco de não terem atendimento do chamado DEC, indicador de continuidade estabelecido pela agência reguladora (Aneel) que fixa o tempo que o consumidor pode ficar sem energia ao longo do ano.

“E se a luz da minha casa acabar ou eu tiver algum outro problema, serei atendida por uma unidade muito longe da minha casa? Vai afetar na qualidade do meu atendimento?”, questionou a estudante Manoela Miranda que fez questão de acompanhar de perto a discussão.

Quem também manifestou preocupação com o distanciamento entre os eletricistas e os consumidores e os futuros prejuízos para a sociedade e para a própria Cemig, foi o representante dos trabalhadores e o coordenador-geral do Sindieletro-MG, Jefferson Teixeira da Silva. “Qualquer projeto de eficiência tem que considerar a agilidade do serviço”, finalizou.

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