Magistério municipal deflagra greve da categoria a partir dia 19 de fevereiro

Prefeitura pretende enviar à Câmara Municipal projeto de lei que modifica a carreira das trabalhadoras e trabalhadores e educadores de Juiz de Fora se juntam às greves nacionais

“Somos 84,3% da categoria parada hoje”, anunciou Cida Oliveira, coordenadora- geral do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (SINPRO-JF), na assembleia lotada que reuniu o magistério municipal na tarde desta quarta-feira, 12/02. Por decisão tomada em assembleia no último dia 6/02, a categoria paralisa as atividades nesta quarta e na quinta-feira, 13/02. Em votação quase unânime, foi deflagrada greve da categoria a partir do dia 19/02, com nova assembleia.

Os motivos da greve são muito claros: as trabalhadoras e trabalhadores dizem não ao projeto de lei que a Prefeitura de Juiz de Fora pretende enviar à Câmara Municipal que propõe alteração no plano de carreira dos servidores já anteriormente rejeitado pela categoria, exigem imediata realização de concurso público nos moldes da carreira vigente e também para que seja pago o reajuste salarial do MEC para todo o Magistério.

Cida Oliveira foi categórica ao defender as reivindicações. “Nós todos vemos o concurso público como urgente, já que ele não acontece na cidade há 10 anos, mas exigimos que o plano de carreira da categoria, que foi conquistado com muita luta ao longo de décadas, seja respeitado como está”, conclui lembrando que em reunião com o Executivo no último dia 10, o Sindicato afirmou que não abrirá mão do plano de carreira e que essa é uma decisão absoluta da base.

Clea Moreira, diretora do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora, foi enfática ao dizer que esse é um projeto que põe em risco o futuro das trabalhadoras e dos trabalhadores. “O que está em jogo é a nossa carreira. É o que está sendo discutido hoje e que levaremos até a audiência pública amanhã, na Câmara Municipal. Por isso é extremamente necessário que estejamos todos lá e que nos posicionemos”, disse.

A professora de matemática Maria Clara Oliveira conta que ao longo de muitos anos de luta, a categoria conseguiu com que os professores pudessem ter apoio para estudar e melhorar seus currículos e condições de trabalho e pudessem assim conquistar o direito aos adicionais que fazem parte do plano de carreira. “Eu sou professora desde 1991 e desde essa época venho participando de todos os movimentos, paralisações e greves. Me preparei durante 4 anos para o concurso e em 1995, consegui passar e continuei na luta pelas melhorias nos salários, nas condições de trabalho, nos adicionais e estou aqui, lutando, até hoje”, conta.

Maria Clara, já aposentada em um de seus cargos na Prefeitura, enfatiza que é necessário muita luta para que os direitos dos quais ela se orgulha de ter conquistado junto à categoria sejam mantidos. “Depois de tantos anos de luta, eu corro o risco de ser prejudicada por pessoas alheias a toda essa história, que é a minha e de muitas pessoas. Essa “nova carreira” que eles estão querendo aprovar tira o direito conquistado pelos antigos e põe em risco a carreira dos que estão chegando agora. Mas nós vamos continuar lutando, e para isso essa greve é urgente”, finaliza.

Dando sequência às 48 horas de paralisação da categoria, uma audiência pública convocada pelo vereador petista Juraci Sheffer terá  início às 15 horas no plenário da Câmara e discutirá a proposta de projeto de lei da PJF e contará com a participação da categoria, além da direção do SINPRO e demais sindicatos de trabalhadores.

Ao final da assembleia, uma comissão formada por representantes do magistério levou à Câmara Municipal um documento endereçado a cada vereador e vereadora da Casa em que pede o compromisso de não votar o projeto de lei enviado pelo Executivo até que este esteja em acordo com a posição do Sindicato.

Outras categorias continuam em luta em Minas Gerais; servidores dos Correios deflagram greve e se unem aos trabalhadores da Rede Estadual de Educação, da Dataprev e da Petrobras

Na manhã de hoje, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, trabalhadores das estatais que estão em greve no Estado tomaram as escadas da casa do povo para falar “basta”, não somos “parasitas”, queremos defender nossas estatais. Com cartazes e palavras de ordem cada categoria ia dando o seu recado e o ato, pouco a pouco reuniu centenas de pessoas.

Unindo forças aos petroleiros, aos trabalhadores da rede estadual de educação e da Dataprev, os servidores dos Correios também declararam greve na manhã desta quarta-feira. Robson Silva, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de MG lembra da importância dos Correios em lugares onde “nem o asfalto chega”. Para ele é hora de se unir com as outras categorias para barrar esse avanço e tentativa de desmonte das estatais. É uma cultura que eles querem implementar de desvalorizar o servidor público, das instituições públicas, das estatais, mas sabemos da importância histórica que os Correios tem e por isso estamos em greve a partir de hoje”, disse.

A Coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação em Minas Gerais, Denise Romano, também afirma que a luta vai continuar. “Chegamos ao segundo dia de greve mas a nossa luta não é de hoje, estamos há mais de um ano tentando dialogar com esse governo que não paga os trabalhadores em dia. Não quitou o 13º de toda a categoria, causou um verdadeiro caos na educação, não respeita os trabalhadores, não paga piso nacional e não tem um projeto claro para educação em Minas Gerais”, afirma.

“Ao privatizar 50% da capacidade de refino do Brasil, nós vamos perder por completo a capacidade de regular o preço do petróleo. Vamos estar sujeitos às crises internacionais, como as que ocorrem no Oriente Médio”, afirma o diretor do Sindipetro-MG, Felipe Pinheiro. Para ele, a privatização da Refinaria Gabriel Passos em Betim vai causar prejuízos irreparáveis à economia local e aos trabalhadores da Regap e discutir a greve dos petroleiros é discutir um tema que afeta o dia a dia de todos.

Para o deputado Betão, as categorias juntas, podem frear a tentativa de desmonte do atual governo, que na verdade não vem de hoje, começou no golpe da ex-presidente Dilma. “O povo brasileiro já sofreu muito. Sofreu bastante em 2016, orquestrado por uma parcela rica da população composta por banqueiros, pela mídia e empresários. Parcela essa que reforça cada vez mais a desigualdade no mundo. O resultado é esse, estamos vivendo tempos de ataques constantes aos trabalhadores e às nossas estatais, onde ministros chamam servidores de parasitas e falam que a solução é a privatização. Não podemos aceitar. A saída é esse movimento de união contra o projeto de desmonte”, disse.

Audiência pública discute ataques à Dataprev

Trabalhadores da Dataprev vão a público falar: o nascimento até a morte dos dados do brasileiro passam pela Dataprev

“Como o Brasil pode pensar em privatizar uma empresa presente em 20 estados, com trabalhadores que lidam com dados dos brasileiros desde o nascimento até a morte? São dados estratégicos, de seguro-desemprego, óbito, por exemplo. A Dataprev não é uma empresa qualquer não. Para quem não sabe ela é premiada nacional e internacionalmente justamente pelo que ela faz”, diz Rosane Maria Cordeiro, Coordenadora do Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de dados, Serviços de Informática e Similares de Minas Gerais.

Representando os trabalhadores da Dataprev, Wania Costa Val disse que agora é hora de lutar pelos quase 500 servidores que poderão ser mandados embora, caso o governo federal concretize o projeto de privatização e desmonte.

“Temos que nos unir e mostrar a importância da Dataprev dentro da realidade de Minas e do Brasil. Esse governo é o governo de entrega e é contra ele que nos temos que lutar. No bojo desse debate desse estamos falando de 20 regionais, de um amplo plano de privatização e redução de trabalhadores. Estamos falando da demissão de 493 colegas que ficarão sem empregos no Brasil de hoje”, afirma.

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