Visita técnica constata situação alarmante em hospitais da rede Fhemig

Falta de condições básicas de trabalho como pia inutilizada da forma incorreta, fiação exposta, falta de suprimentos, além de equipamentos queimados há mais de dois anos: foi o que constatou os deputados Betão (PT) e Andreia de Jesus (PSOL) durante visita aos hospitais João XXIII e João Paulo II, em Belo Horizonte.

Resultado dos requerimentos apresentados pelas comissões dos Direitos Humanos e do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, e a visita teve como objetivo constatar a atual situação dos trabalhadores da Rede Fhemig, parcialmente paralisados desde 15 de janeiro deste ano.

A visita foi acompanhada pelos trabalhadores em greve, liderada pelo presidente do Sindicato do Profissional em Enfermagem, Auxiliar de Apoio da Saúde, Técnico Operacional da Saúde, Analista de Gestão e Assistência a Saúde, SinPros, Carlos Augusto dos Passos Martins.

“É fundamental termos feito essa visita para vermos de perto o abandono que esses profissionais estão vivendo. O atual governo só fala em privatizar a saúde, ignora a greve desses trabalhadores, mas não vem dialogar e ver a real situação deles e dos pacientes”, disse Betão após a visita, chamando a atenção para o anúncio da administração da rede de que fará a fusão administrativa dos dois hospitais, processo que já está em andamento, “é importante que os parlamentares entendam em quais condições isso tem sido feito” reforçou.

“A situação que a gente está vivendo aqui é essa, de total descaso. Os trabalhadores estão sendo intimidados pela direção e alguns deles estão com medo de continuar a greve, mesmo sem ter condições básicas de trabalharem. Assim como vocês estão vendo”, disse Carlos mostrando uma das salas de atendimento aos pacientes paradas por falta de manutenção.

Em reunião com Betão, Andreia de Jesus e os trabalhadores da saúde, o diretor do Hospital João XXIII, Frederico Bruzzi de Carvalho, apresentou um outro cenário, diferente do anunciado por Zema no começo do ano e do relatado pelos funcionários do local. “Não chegou nada para gente sobre Organização Social”, abriu o assunto.

O diretor negou ainda, que o Hospital esteja nas condições relatadas pelos funcionários e disse que hoje, a taxa de absentismo (trabalhadores que não vão trabalhar) é de 30% e que os motivos são problemas de saúde, dado que alarmou bastante os deputados.

“O João XXII não é nem de longe a pior estrutura, existem lugares piores. Nós hoje somos referência em atendimento em várias especialidades. O relato dos trabalhadores sobre os insumos eu não tenho conhecimento, em alguns casos nós temos até estoques”, disse.

Apesar do relato do diretor, o representante do Sindicato Carlos afirmou que os trabalhadores denunciaram que a diretoria vem fazendo comunicados internos que tem intimidado os trabalhadores e tensionado a relação de trabalho. “Foi divulgado um comunicado interno que intimida os trabalhadores e funcionários do Hospital. Nós estamos no nosso direito de fazer greve por melhores condições’, disse Carlos.

Condições que Joselice Fátima Soreano conhece bem. Há 24 anos no Hospital, a enfermeira conta que está cansada de tanto descaso e que a sua luta é a luta de todos. Ao ser perguntada se não tem medo de denunciar a resposta vem de pronto;

 

“Eu não posso me dar ao direito de ter medo. Há pouco tempo, aqui nesta maca que está essa senhora, estava deitada a minha a filha.  Amanhã pode ser qualquer um de você. Essa luta por melhores condições têm que ser uma luta de todos. Não podemos mais trabalhar em um local assim”, relatou mostrando uma pia tampada com isopor e pano, isolada há tempos e sem manutenção.

É greve porque é grave

A visita foi autorizada por conta dos requerimentos dos deputados Celinho do Sinttrocel (PCdoB), Betão (PT), Andreia de Jesus (Psol) e Professor Cleiton (PSB).

Para Betão, além de entender as condições de funcionamento das instituições, os parlamentares querem conversar sobre a possibilidade de criação de um mecanismo de apoio às reivindicações dos trabalhadores das instituições que estão em greve.

Paralisados parcialmente desde 15 de janeiro, os funcionários administrativos e técnicos estão mantendo os serviços dos hospitais em funcionamento para não afetar os cidadãos. Porém, querem um acordo com o Poder Executivo para receberem o 13º salário do último ano, que ainda não foi pago para muitos dos servidores, e exigem o fim dos parcelamentos dos vencimentos.

O governo estadual ofereceu como acordo a criação de uma mesa de negociação em troca do fim da greve. O problema é que na proposta não há o abono dos dias paralisados dos servidores, que temem punições, apesar de terem feito a mobilização sem interromper os serviços dos hospitais.

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