Alunos em Minas Gerais podem ser prejudicados caso o pedido de isenção e cronograma do Enem não sejam adiados

Responsáveis, alunos e profissionais da educação temem que alunos sem acesso à internet não consigam concluir a isenção nem a inscrição no Exame; greves e pandemia atrasaram cronograma de aulas

Na próxima segunda-feira (06/04) começa o prazo para que estudantes de todo o Brasil deem entrada no processo de isenção da taxa de inscrição do Enem. Sem pensar que devido à pandemia as escolas em Minas Gerais estarão fechadas, e que alguns alunos ficarão impossibilitados de fazerem o pedido de isenção, professores, alunos e diretores temem que em Minas Gerais a adesão ao benefício seja baixa.

Mesmo diante de campanhas como a promovida pela União Nacional dos Estudantes para que o governo federal reveja o cronograma do Enem 2020, ainda não há um pronunciamento sobre o assunto.

"Muitas famílias estão sem renda e sem acesso aos itens básicos, como alimentação, aprofundando a desigualdade. Nesse contexto e sem diálogo prévio com as secretarias estaduais de ensino o MEC decidiu unilateralmente o calendário do Enem 2020. No Brasil não há previsão de retorno das aulas e nem do fim do isolamento social para conter a pandemia, muitos estudantes não terão nem a oportunidade de pedir a isenção de taxa de inscrição. Como manter o calendário do Enem nessas condições? A manutenção do calendário do ENEM ignorando as consequências da pandemia é limar a oportunidade de muitos estudantes de tentarem entrar em uma universidade pública no próximo ano", disse a UNE nas redes sociais.

ara o deputado Betão (PT) o governo de Minas erra mais uma vez ao não se preocupar com a realidade dos alunos em Minas Gerais e por não articular com o MEC para tentar adiar o cronograma do Enem. “Temos um ministro da Educação que só ataca a educação, e um presidente que em tempos de pandemia quer deixar as escolas abertas. Um absurdo, até agora, não terem pensado em adiar o cronograma do Enem nem disponibilizarem estrutura para que os alunos façam o pedido de isenção”, explica Betão.

Revoltados, alunos, professores e diretores temem que não haja tempo hábil para que os alunos se preparem para o Exame deste ano, lembrando que além da greve, há a pandemia. Sobre  a taxa de isenção o problema seria a falta de acesso à internet e a disponibilidade de um dado necessário para o cadastro, que é o número da escola, informação que nem todo aluno sabe como buscar ou cadastrar na hora de fazer o pedido da taxa.

“Estamos muito preocupados porque tem alunos que dependem da estrutura da escola para efetuar o pedido da isenção. Que não tem acesso à internet em casa e que precisam do auxílio da equipe técnica da escola para concluir o pedido. Sem contar que os dados básicos dos alunos estão na secretaria”, explica Denise de Fátima Gonzaga da Silva, diretora da Escola Estadual Marechal Mascarenhas de Moraes, mais conhecida como Polivalente.

Ainda de acordo com Denise, em Juiz de Fora, a ideia é que os diretores de escolas estaduais se unam e façam um manifesto em defesa dos alunos e ao direito deles a garantia de isenção. O documento será entregue ao mandato, para que o deputado Betão direcione ao governo de Minas Gerais cobrando explicações.  

“A expectativa é que as escolas estejam, abertas a partir do dia 14, mas o prazo de encerramento do pedido de isenção é no dia 17, o que poderia sobrecarregar o sistema e prejudicar os alunos de Minas Gerais. “Essa informação do dia 14 não é oficial, então se as escolas não abrirem como iremos fazer?”, disse.

Em Cataguases, a preocupação não é diferente e o diretor da Escola Estadual Manuel Inácio Peixoto, Edson Adriano de Almeida, defende o cancelamento do calendário do Enem porque “afinal de contas os alunos não estão tendo aulas e antes já estávamos em greve e agora com a pandemia o cronograma de aulas está todo atrasado”, reforça.

Ele explica que, para o pedido de isenção é necessário o número da escola, dado que está disponível na internet e na superintendência de ensino “mas nem todos alunos sabem disso, né? E nem todos eles têm acesso à internet”, afirma.

Se de um lado temos professores aflitos, de outros também temos alunos  preocupados. Fernanda Limeira ainda não sabe se odontologia é o curso certo. Com toda essa confusão ela confessa “queria que fosse adiado não só o prazo da isenção, mas também a prova. Está tudo muito confuso e eu estou muito angustiada”, finaliza.

Entramos em contato com a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais para saber qual a solução para o problema e estamos aguardando a resposta da pasta. Só em Minas, serão cerca de 534 mil participantes, segundo dados do MEC. 

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