Betão questiona secretário de saúde sobre condições de segurança e proteção dos trabalhadores durante a pandemia

Questionamento do deputado integra o requerimento do Bloco Democracia e Luta direcionado ao secretário Carlos Amaral cobrando providências na área da saúde durante a pandemia

Após receber inúmeras denúncias de trabalhadoras e trabalhadores da saúde de Minas Gerais, algumas de Juiz de Fora, Zona da Mata, Betão levou o problema da falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e o risco de contaminação durante a pandemia do coronavírus, ao secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral. O questionamento foi enviado, por meio de requerimento, para que a Secretaria de Saúde dê explicações sobre o que está acontecendo.

“Chegaram ao nosso mandato denúncias do SindSaúde, Subsede de Juiz de Fora, que os capotes disponibilizados para a enfermagem, não têm condições de impedir a chegada das secreções ao corpo do trabalhador da enfermagem, e que estão fora das normas e padrões recomendados para os profissionais que atendem diretamente pacientes acometidos pela COVID – 19.  Encaminhei à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) pedido de providências para que se verifique a situação dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) destinados aos servidores dos hospitais da rede Fhemig, se estes se encontram dentro das normas e padrões da vigilância sanitária e dos órgãos referenciados. Quais providências estão sendo tomadas para garantir a segurança dos trabalhadores e das trabalhadoras e qual resposta foi encaminhada ao SindSaúde?”, questionou Betão.

Durante a sua fala, na tarde dessa quinta-feira (02) em reunião na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o secretário anunciou que o governo vai adquirir 300 kits de CTI, o que significa 300 novos leitos. Carlos anunciou ainda que serão investidos R$ 28 milhões em equipamentos de proteção individual (máscaras e luvas) e que dentro de sete dias, abrirá edital de leitos de UTIs em Minas Gerais. “Estamos nos preparando. Minas não tem estrutura e pico da doença vem depois do dia 23 de abril”, afirmou o secretário.

O secretário disse que o governo de Minas poderá contar com R$500 milhões em recursos destinados à saúde, sendo que R$ 30 milhões serão destinados especificamente “à ampliação e aquisição de insumos para a saúde”, afirmou logo no começo da reunião.

Dados mostram que Minas Gerais tem leitos ociosos e que é necessário investir em saúde para os municípios

Minas Gerais conta hoje com 11.625 (quantidade de leitos clínicos totais), dentre esses 2.013 são leitos de UTI do Sistema Único de Saúde (SUS), se somarmos o SUS e a rede privada esse número vai para 3.096 leitos.

De acordo com o secretário, um mapeamento feito pela pasta, revelou que os leitos totais mapeados pela SES, possíveis de serem utilizados são de 2.589 . Em um cenário onde mais de 34 mil pessoas estão sob suspeita de estarem contaminadas, esse seria um “reforço inicial”.   “A nossa avaliação é que no total, tenhamos cerca de 5 mil leitos ociosos que possam ser utilizados em caso de pico da doença”, disse reforçando os números apresentados.

Em relação ao atendimento do Samu, o secretário admitiu que assim como os respiradores para atender as cidades mineiras,  que estão em falta, poderá haver sim uma sobrecarga do Serviço por conta das internações nas cidades. “Estamos buscando consórcios para estimular esse transporte”.

Outro tema comentado durante a reunião é a necessidade de se aumentar os testes diários que hoje estão bem abaixo do esperado, a expectativa é que avancem para 1.880 exames e que cheguem até 4.000 nas próximas semanas.

Casos na Zona da Mata preocupam e Betão destina emendas à saúde da região

Secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral - Foto:Henrique Chendes

Durante a sua fala, o secretário falou também que Juiz de Fora, na Zona da Mata é a segunda maior região do Estado com casos de contaminação que há ainda a previsão de investimentos para o Hospital Regional João Penido.

De acordo com o secretário “indicamos ao Ministério que montassem os 10 primeiros leitos lá, mas só chegaram 20 leitos que foram lotados no Hospital Eduardo de Menezes, em BH”, disse garantindo que em breve a região receberá novos leitos.

 

Sabendo das dificuldades e como a falta de recursos é um problema para os municípios, Betão destinou emenda no valor de R$ 2.265.000,00 para a saúde de Juiz de Fora. Serão beneficiados os hospitais da rede pública da cidade, com atendimento 100% realizado aos usuários pelo Sistema Único de Saúde como: o Regional Leste, o HPS, o Regional João Penido e o Hospital Universitário. Além da aquisição de uma ambulância equipada para o município.

Outra cidade que também recebeu indicação de emenda parlamentar foi Santos Dumont, também na Zona da Mata, no valor de R$240 mil. O município será beneficiado com duas ambulâncias no valor de R$ 90 mil e R$60 mil, respectivamente, para a Atenção Básica de saúde, a principal porta de entrada do SUS.

“Defendemos que é obrigação do governo federal e estadual garantir um orçamento público destinado à saúde para o conjunto da população. Contudo, como existe o instrumento das emendas parlamentares o nosso mandato busca fortalecer o atendimento na rede hospitalar das cidades da região, como instrumento de combate ao coronavírus”.

O que o governo disse que irá fazer em caráter de urgência:

– Mapear a capacidade de aumento de leitos de UTI (2589 novos) e imediatos (586)

– Edital de Credenciamento de Leitos de UTI elaborado (previsão de publicação para 07/04)

– Solicitação de kit de UTI (equipamentos) para os hospitais junto ao Ministério da Saúde

– Elaboração de planos macroregionais

– Suspensão de cirurgias eletivas para disponibilizar leitos

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