Deputados da Zona da Mata apresentam representação ao Ministério Público requerendo mais leitos para Juiz de Fora

Caso pedido de ampliação de leitos não seja atendido, sistema de saúde da cidade pode entrar em colapso em junho deste ano

Os deputados estadual Betão e federal Margarida Salomão, ambos da Zona da Mata, protocolaram nesta terça-feira, uma representação junto ao Ministério Público de Minas Gerais requerendo ampliação dos leitos clínicos e de UTI´s para a Zona da Mata mineira na tentativa de se evitar o colapso do sistema de saúde da região, previsto para junho deste ano.

Betão (deputado estadual PT/MG)

Juiz de Fora precisa de 304 leitos de UTI do Sistema de Único de Saúde para o combate à covid-19, mas até o momento conta apenas com 134, os quais não são exclusivos para atendimento dos casos de coronavírus. Essa previsão foi elaborada pelo Município de Juiz de Fora em parceria com a Universidade Federal (UFJF), os quais garantem que o número deve ser atingido até final de junho sob pena de o sistema de saúde da região entrar em colapso.

“Entramos com essa representação porque Juiz de Fora tem o pior cenário da pandemia em Minas Gerais, já com 21 mortes por Covid-19 e também o maior indicador de contaminação entre os 20 principais municípios do Estado. Mesmo diante desse cenário, até o momento, os governos estadual e federal não se alertaram quanto ao perigo da situação, tendo em vista a proximidade do município com outros estados. Por isso, eu e a deputada Margarida acionamos o Ministério Público”, disse Betão.

A cidade da Zona da Mata é a quarta cidade mais populosa de Minas Gerais e a segunda colocada no ranking de casos da covid-19, respondendo por 10% dos casos do Estado e por 15% das mortes pela doença.  O próprio Estado de Minas Gerais reconhece a necessidade de ampliação dos leitos, e no dia 01 de abril apresentou um Plano Operativo de Contingência da Macrorregional Sudeste, na qual Juiz de Fora atua como cidade sede congregando outros 94 municípios.  Nesse plano, o Estado prevê a necessidade de 229 leitos clínicos e 92 de UTI exclusivos para atendimento da Covid-19.

“O Estado de Minas é o que menos testa no Brasil, então estes números que nós estamos citando estão provavelmente abaixo do que a gente imagina. Por isso é necessário que o governador olhe para a Zona da Mata. Eu e Betão somos da Zona da Mata e nós temos feito a luta e trazido recursos em defesa do povo e da saúde da região”, disse a deputada federal Margarida Salomão.

Passados mais de 40 dias da constatação por parte do Estado de Minas Gerais, até o momento, a cidade não experimentou ampliação considerável de leitos clínicos e de UTI, nem ampliação significante de recursos humanos, equipamentos médico-hospitalares e EPI´s, a fim de atender ao desafio da pandemia.     

“O perigo é iminente. A previsão de ampliação dos leitos feita pela prefeitura e pela UFJF é 100% maior do que àquela assumida pelo Estado de Minas Gerais, sendo que a meta do Estado ainda não foi sequer inicializada. Não podemos esperar mais”, enfatiza Betão.

Em coletiva realizada no dia 29 de abril, o governador do Estado de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou R$ 645 milhões em investimentos para o combate à covid-19 em Minas Gerais.  Tal recurso foi destinado à construção de um hospital regional em Governador Valadares, além de conclusão de unidades em outras quatro cidades de Minas, sendo que Juiz de Fora novamente de fora da lista de entes federativos beneficiados.

Logo depois, no dia 06 de maio, em entrevista à Rádio CBN de Juiz de Fora, o Secretário de Estado de Saúde (SES/MG), Carlos Eduardo Amaral, informou que a retomada das obras para construção do Hospital Regional de Juiz de Fora voltará em pauta no Governo de Minas Gerais somente após o período crítico de combate ao novo coronavírus.

E os desafios não param por ai: além da incumbência de garantir o atendimento da sua própria população referenciada pelo Plano Diretor de Regionalização, a Macrorregião Sudeste ainda sofre pressão para atender pessoas provenientes do Estado do Rio de Janeiro. A proximidade das fronteiras geográficas da Zona da Mata mineira com o Estado do Rio de Janeiro, impacta ainda mais o sistema de saúde da Macrorregião Sudeste. 

Juiz de Fora está apenas a 48 km de Levy Gasparian,  62 km de Três Rios, 80 Km de Rio das Flores e a 99 Km de Valença, todas cidades fluminenses. A distância com a capital do Rio de Janeiro é de apenas 181,5 km.  Ao todo, são mais de 17 mil casos da covid-19 no Estado do Rio de Janeiro 

Número de mortes em terras fluminenses ultrapassa o de São Paulo

E o Sistema Único de Saúde de Juiz de Fora, nas duas últimas semanas do mês de abril, já constatou o atendimento de mais de 10 pacientes que se auto-declararam residentes de municípios fluminenses, os quais deram entrada no sistema de saúde municipal via “porta de urgência e emergência” do Hospital de Pronto Socorro de Juiz de Fora e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Região Norte. 

Como uma parcela expressiva de famílias de Juiz de Fora mantém parentesco com pessoas residentes em terras fluminenses, tal fato também facilitaria uma suposta “comprovação” de residência em terras mineiras e acabaria levando tais pessoas para o atendimento do sistema de saúde da cidade sem ter que passar necessariamente pela “porta da urgência e emergência”.

“Não é por acaso que Juiz de Fora segue sendo a segunda cidade do Estado de Minas com o maior número de casos confirmados da covid-19 e com uma elevada taxa de disseminação da doença”, avalia Betão.

Apesar dessa nova demanda de atendimento que ultrapassa a atual barreira sanitária da Macrorregião Sudeste, o Secretário de Estado de Saúde (SES/MG), Carlos Eduardo Amaral, informou, no dia 06 de maio, que ainda “não há o interesse pelo impedimento da entrada dos pacientes fluminenses no Estado”, finalizou.

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