Governo Zema nega a efetivação de mais de 1000 professores, e docentes ficam sem emprego durante a pandemia

Diante do silêncio do governo de Minas, saída para os professores foi se juntar em grupos de facebook e whatsapp para somar esforços; Betão se une aos professores em busca de alternativa

Há três meses do seu contrato como designada acabar, a professora de história da cidade de Januária, Jamilli Mendes Silva, aguarda ansiosa tomar posse no concurso para professora da rede estadual em 2017 (homologado em 2018). A nomeação aconteceu 12 de março deste ano antes do estado de calamidade pública em função da pandemia, mas devido à Covid-19, o governo de Minas suspendeu todas as nomeações dos 1000 professores aprovados.

“Não podemos esperar. Temos nossos compromissos e a nomeação deveria ter sido feita mesmo com o estado de calamidade pública. Existe teletrabalho e nós não podemos ficar sem trabalhar, eu mesma, em dezembro, se não tiver sido nomeada ficarei sem emprego a partir do ano que vem”, explica.

A suspensão do processo para efetivação da posse dos 1000 professores da Rede Pública Estadual de Educação foi interrompida pela Resolução 10.153, publicada no Diário Oficial do Estado no dia 16/04 e assinada em conjunto entre a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e a Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG).

Apesar de oficializada, mais uma vez o governo de Minas não estabeleceu diálogo nem esclareceu prazos para os mil professores que estudaram e conquistaram seus direitos de atuarem na rede estadual. “Nós chegamos a fazer exames, gastamos do nosso próprio bolso, e até agora nada. Mandamos várias mensagens para todos os canais de comunicação do governo e da Seplag, mas só recebemos respostas automáticas. Sobre o processo, até o momento, nenhuma informação”, lamenta.

Cansada de esperar, Jamilli se uniu a outros professores aprovados que montaram um grupo no Facebook e um no WhatsApp para somarem esforços e buscarem alternativas contra o silêncio do governo de Minas. “Decidimos buscar ajuda do Betão porque é um mandato que luta pela educação”, reforçou.

“Apresentei um requerimento ao governo Zema cobrando uma definição porque é desumano O que ele faz com os professores neste Estado. Primeiro aprova uma reforma que sacrifica física e financeiramente a categoria e agora deixa mais de 1000 famílias sem salários e em meio à incertezas. Não há limites para a crueldade desse governo e esse assunto será, com certeza, levado à Comissão de Educação”, disse o deputado estadual que é vice-presidente da Comissão.

Junto com ela nesses grupos de resistência está Aline Totti Alves, da cidade de Urucânia também na Zona da Mata. Ela conta que foi aprovada para a primeira vaga como professora de educação física mas que a falta de compromisso do Estado fez com que ela hoje ficasse desempregada.

Em função de problemas com a grade de aulas e com os horários ela teve que abrir mão do cargo que atuava na escola onde trabalhava como designada mas, como já esperava a posse agora no começo do ano, ficou tranquila. A partir daí, Aline conta que começou a correr atrás dos exames e que chegou até a fazer tudo pela rede particular para agilizar seu processo de posse. Não sabia ela que o governo Zema travaria todo o processo. “Estou sem receber desde fevereiro. Eu tenho um filho de seis anos e pago aluguel, preciso receber meu salário. Eu tive gastos para tomar posse, ‘corri’ para pagar a anuidade do Conselho de Educação Física e sinto que perdi o dinheiro do exame e que estou perdendo meu dinheiro”, desabafa.

Entenda mais sobre o problema

O estado de calamidade pública em Minas Gerais, provocado pela pandemia do coronavírus foi  reconhecido no decreto publicado pelo Governo de Minas Gerais no dia 15 de março. Com isso, as nomeações referentes ao edital nº 07/2017 que contemplam vagas em municípios de todas as 47 Superintendências Regionais de Ensino de Minas Gerais (SREs)  não se realizaram.

Até então, segundo o governo de Minas, o prazo para posse seria de trinta dias da publicação da nomeação, porém, desde a publicação desta resolução a Secretaria Estadual de Educação não apresentou novas orientações e conforme as entrevistadas, não tem feito comunicados formais com os aprovados no certame.

Até o momento o órgão também não se posicionou publicamente forma clara e transparente, sobre quais serão as diretrizes que pretendem adotar diante da situação estabelecida pela Resolução.

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