Trabalhadores da Cemig denunciam retirada de direitos, assédio moral e tentativa de desmonte da empresa

Deputado Betão cobrou que a diretoria da estatal apresente aos trabalhadores plano de atuação, que cumpra com as metas coletivas e que não retire direitos básicos como o plano de saúde

Assédio moral, tentativa de desmonte da empresa, retirada de direitos como o Saúde Cemig para os aposentados e a redução da participação do pagamento dos benefícios foram só algumas das denúncias feitas pelos trabalhadores da Cemig, na audiência pública presidida na tarde de hoje pelo deputado estadual Betão (PT). Autor do requerimento para realização da discussão, Betão trouxe também convidados que confirmaram o plano de desmonte da estatal, intensificado pelo governo Zema.

“Estamos vendo uma tentativa descarada do governo Zema de precarizar, para depois privatizar. É importante falar que a Cemig é uma das empresas que tem como lucro médio dos funcionários um valor de 444 milhões. Por isso, a Cemig deveria investir mais nos trabalhadores e promover melhorias, não tentar desmontar a estatal e retirar direitos básicos como plano de saúde”, explica Betão lembrando apesar dos altos salários da diretoria da estatal, a maioria dos profissionais recebe baixos salários.

“Não é novidade o projeto de privatização de uma empresa como a Cemig, mas agora, no governo Zema, o próprio governador começou uma campanha nas suas próprias redes sociais de desmoralização da Cemig. Ele tem falando isso em entrevistas e falando que ela não é eficiente, desconsiderando trabalhadores, trabalhadores que deram a vida por ela.
Com isso, a diretoria vem tomando medidas que diminuem o tamanho da Cemig, se desfaz do patrimônio como tem sido feito com a Light”, explica Émerson Andrada, Coordenador SindiEletro.

Para o presidente da Federação das Indústrias Urbanas no Estado de Minas Gerais, Everson de Alcantra, a retirada de direitos dos servidores da Cemig, como por exemplo, a tentativa de desmonte do Plano de Saúde, o Cemig Saúde, além das demissões e contratações supostamente indevidas, tem criado um ambiente de pânico na estatal.

  “Desde que esse governo assumiu os trabalhadores estão vivendo um verdadeiro terror. Porque a diretoria traz pessoas de São Paulo com a proposta de mudanças que sequer são discutidas com os trabalhadores. É isso que a nova gestão tem feito, instalado um tipo de “terrorismo”, com ameaças aos trabalhadores que não concordavam com as decisões da diretoria”, explica Everson.

O presidente, relatou ainda uma forte tentativa de enfraquecimento das entidades sindicais, vistas pelo descumprimento de acordos coletivos e no não pagamento dos PL. “Hoje, os acordos com os trabalhadores só serão cumpridos se eles quiserem e se for bom para a diretoria da Cemig, do contrário não”, reforçou lembrando que na gestão Zema houve redução do número de dirigentes sindicais.

O Presidente da Central Única dos Trabalhadores e funcionário da Cemig há 33 anos, Jairo Nogueira, acredita que somente com a CPI, proposta pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, será possível investigar e frear o desmonte e ataques aos servidores.

Ele lembra que, algumas das mudanças como a tentativa de desmonte do setor de atendimento e comunicação dentro da Cemig, poderá gerar demissões em massa.

“Esse processo de tentativa de privatização da Cemig é muito parecido com o processo feitos nos anos 90, mas agora, a tentativa de venda da estatal pelo governo Zema é ainda mais cruel, porque estamos em uma pandemia, com todo mundo preocupado em salvar vidas, e Zema e Bolsonaro tentando passar a boiada”, explica Jairo que afirma ainda que caso seja contratada a empresa de tecnologia e informática IBM, de São Paulo, será gerar uma demissão em massa de cerca de 5 mil trabalhadores.

Além das denúncias de desvio do fundo de Previdência da Cemig, alguns trabalhadores reclamaram do corte do pagamento de plano de salário para os aposentados, além da redução da participação da empresa no plano dos servidores da ativa. Cheiviston Glaucos Menezes, Diretor Executivo do Sindicado dos Engenheiros de Minas Gerais, afirma que a essa postura tem prejudicado e muito os funcionários da Cemig, em todos os setores.

“Essa ameaça plano de saúde tem deixado os trabalhadores ainda mais tensos, já que essa insegurança dentro da empresa é um das maiores preocupações”, explicou

Repúdio ao desmonte

Em contrapartida, o representante da Cemig, o gerente de relações sindicais da Empresa, Brunno Viana, tentou desmentir as afirmações dos trabalhadores, mas as justificativas, mas uma vez ficaram no campo liberal e assim como o governador Zema ele alegou cortes por “austeridade”. O processo de desestatização da Cemig é para que, no futuro, haja investimento dentro da própria empresa, e não houve cortes do plano de saúde para os funcionários da ativa. O que acontece é que para os aposentados não será mais oferecido, o que é normal para quem, em média, ganha mais de R$ 10 mil e pode custear com o valor do Cemig Saúde”, explicou, porém todos da audiência contestaram as informações.

Por isso, o deputado Betão apresentou diversos requerimentos cobrando apuração sobre os fatos e pedindo à Cemig que informe, oficialmente, o planejamento aos funcionários sobre o Cemig Saúde e mais mudanças.

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