Mandatos do deputado estadual Betão e da vereadora Cida fazem visita técnica ao Bairro Retiro em busca de solução para os problemas de saneamento e abastecimento de água na região

Visita foi acompanhada por um representante da Cesama que sinalizou soluções como a criação de uma estação de bombeamento e um reservatório na parte de cima do bairro até que seja realizada a troca completa de toda a rede, em dois anos

Há mais de 5 décadas, os moradores do bairro Retiro, em Juiz de Fora, convivem com graves problemas de fornecimento de água e a falta de um sistema de saneamento básico adequado aos moradores da região. Por isso, os mandatos do deputado estadual Betão (PT) e da vereadora Cida Oliveira (PT) realizaram hoje, junto ao presidente da Cesama, Júlio César Teixeira, uma visita técnica ao local em busca de saídas emergenciais. A ida ao local foi desdobramento de um ofício, enviado em junho deste ano, pelo deputado Betão à Cesama, pedindo atenção e urgência ao problema envolvendo as caixas d’agua no bairro.

O resultado, já esperado, foram relatos de uma comunidade que já está cansada de sofrer com a falta de abastecimento de água, sendo que muitos afirmam que são obrigados a recorrer ao improviso e desvio de água de uma mina localizada na parte mais alta do bairro.

A visita contou também com a líder comunitária Maria Geralda Cruz, que mostrou ao nosso mandato a quantidade de mangueiras espalhadas pelas travessas e escadões do bairro. Por todos os lados, quem for caminhar pelo local, se depara com tubos coloridos que atravessam de um lado para o outro, levando água da mina para os moradores. Entretanto, apesar do acesso improvisado à água, a qualidade da mesma não é atestada pela Companhia, podendo estar contaminada.

“A nossa luta na Assembleia pela autonomia de empresas como a Cesama e a Copasa é para que a gente possa fazer o que nosso mandato fez hoje, que é uma interlocução para fazer chegar água e esgoto a quem precisa. Se fosse uma empresa privada, provavelmente não haveria a visita técnica de hoje e articulação com o poder público para resolver o problema”, explica Betão, que junto ao mandato da vereadora Cida Oliveira, vai fiscalizar e acompanhar o andamento das obras no local.

Realidade dos moradores mostra descaso das gestões anteriores

Além do improviso, os moradores relatam vários vazamentos, decorrentes do fato de as mangueiras frequentemente desconectarem, ou até mesmo derretem com as queimadas, comuns nesta época do ano.

Maria Geralda, que acompanhou nossa equipe, foi guiando os principais problemas da comunidade. “Muita gente aqui deixa o hidrômetro fechado, porque às vezes dá ar nos canos, o que faz registrar como se tivesse passando água e a conta vem alta”, lembrou a líder comunitária.

Em outro ponto do bairro, na Rua Padre Carlos Martins, a erosão faz com que o esgoto corra a céu aberto. Atualmente a rua é sem saída, porém, um terreno foi cedido à Prefeitura para que fosse construída uma rua que daria mais um acesso à parte mais alta do bairro.

O problema não é novo para os moradores. “Estou aqui faz mais de 50 anos e sempre enfrentamos a falta d’água aqui no bairro” revelou Palmira Pinheiro, umas das moradoras mais antigas do local. Ela ainda contou que o problema já causou tragédias pessoais.

“Faz uns 18 anos que perdi meu filho nesta caixa d’água. Era muito comum jovens e crianças nadarem. Eu ajudei a olhar o filho de muita gente, mas infelizmente, perdi o meu”, contou a senhora que apontava para o antigo reservatório que foi demolido pela própria comunidade.

Onde Palmira mora, moram também outras 5 famílias e nenhuma das casas é abastecida por água da Cesama. Todos consomem a água vinda da mina sem nem um tipo de fiscalização. Sem água e saneamento, Sônia Cardoso, que nasceu no bairro e sempre enfrentou o desabastecimento, disse que cansou e entregou os pontos. “Decidi vender a casa antiga na parte alta do bairro e comprei aqui embaixo por conta da água”.

Natália Cardoso conta que constantemente sua realidade tem sido chegar em casa cansada do trabalho e não ter uma gota de água para tomar banho. Junto com ela, essa é uma demanda constante de outros tantos moradores.

“A gente não sabe quando vai cair água, às vezes de madrugada a gente escuta a caixa d’água enchendo, mas não temos quando precisamos tomar um banho ou lavar uma vasilha”, ressaltou a moradora.

CESAMA PLANEJA MEDIDA PALIATIVA, MAS AFIRMA QUE SOLUÇÃO DEFINITIVA VEM EM DOIS ANOS

Segundo o presidente da Cesama, a situação que a comunidade vive atualmente é grave e apesar de haver uma medida paliativa para o problema, as obras feitas tem que ser realizadas de forma concreta. “A solução é a gente construir uma estação de bombeamento na parte mais baixa e um reservatório da parte de cima. Mas isso seria um paliativo, a solução mesmo é fazer como na região de São Pedro, onde trocamos toda a rede”, explicou.

Ele citou, ainda, que outra solução seria a finalização da construção do sistema Retiro, que deve estar pronto em até 2 anos, o que resolveria o problema em definitivo. “O problema imediato precisa ser resolvido para que este bem essencial possa chegar aos moradores que vivem dias de sofrimento sem acesso à água potável”, finaliza o presidente da Cesama.

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