Betão questiona Ministério da Agricultura e governo federal sobre impacto da privatização da CeasaMinas para agricultura e segurança alimentar

Deputado Betão (PT) solicitou estudo aos governos de Minas e Federal estudo de  viabilidade que mostre a proposta de venda da Central a 10% do valor total; preocupação com os trabalhadores e com a insegurança alimentar pautou o encontro

Os trabalhadores e as trabalhadoras da agricultura em Minas Gerais e cerca da metade da população do Estado estão sob forte ameaça de um possível desabastecimento ou até encarecimento dos alimentos comercializados pela CeasaMinas, com a retomada do projeto de privatização pelo governo Bolsonaro. Para frear a proposta, que poderá ser concluída ainda em novembro deste ano, o deputado estadual Betão (PT), articulou nesta segunda-feira (13/09), na Comissão do Trabalho, um projeto de resistência à venda da Central.

“É um processo de desmantelamento do governo Bolsonaro para sucatear e vender as empresas públicas a preço de banana. Importante falar que no caso da venda da CeasaMinas, essa decisão só atende aos empresários e que, inicialmente, vai atingir mais de 12 milhões de pessoas, ou seja, metade do Estado. Isso em um contexto do aumento da inflação dos alimentos e do valor do gás à R$ 100”, explicou Betão.

O deputado federal e ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, também alertou para o problema que não só Minas Gerais, mas vários outros estados vão enfrentar com a venda de uma Central presente em seis cidades estratégicas em Minas.  “A venda da Ceasa fere a agricultura familiar, fere o direito dos mais pobres de ter acesso à alimentação segura, e sobretudo, reforça esse contexto de desmonte do Estado e das estruturas das políticas sociais e das políticas públicas de combate à fome tão valorizadas pelos governos do PT”, disse.

Representando a prefeita de Contagem, Marília Campo, a secretária Municipal de Desenvolvimento Social da Prefeitura Municipal de Contagem, Viviane Souza França.  “A pandemia evidenciou ainda mais a importância de estruturas como a CeasaMinas e por isso, falar em privatizar é negar o acesso à alimentação de qualidade, dentro e fora do Estado”, reforça.

Trabalhadores e sindicatos temem desemprego em massa e enfraquecimento da agricultura familiar

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público Federal no Estado de Minas Gerais (Sindsep/MG), Sânia Barcelos Reis relata que a privatização da Ceasa é um ataque direto à agricultura familiar e a agroecologia. “É um sucateamento proposital que o local vem sofrendo, e é sempre bom lembrar que o objetivo da CeasaMinas não é dar lucro. Mesmo assim ela tem dado lucro e com a privatização além de desarticular o escoamento da produção em, pelo menos, seis pontos do Estado, vai atacar diretamente mais de 4 mil produtores rurais”, detalha.

Entenda o projeto:

O projeto de desestatização da Ceasa Minas não é e foi pela primeira vez anunciado nos anos 2000 no âmbito do Programa Nacional de Desestatização – PND, (Decreto nº 3.654/2000, que prevê a venda da estatal), hoje ele é conduzido pelo BNDES.

O Banco, inclusive, já realizou a contratação de estudos técnicos especializados para aprofundamento das análises a fim de assegurar a “desestatização” da empresa.

Wilson Guide, Economista do Departamento Financeiro do Ceasa/MG conta que há um movimento de desvalorização imobiliária no local e que vender entrepostos. “Queremos contar com o apoio de vocês porque não estamos fazendo denúncias vagas, mas mostrando a inviabilidade de ser vender uma central dessa. O risco que a sociedade mineira está correndo com a privatização da Cesasa é incalculável e nós funcionários não estamos sabendo nada nem como ficará”, explica.

Ceasa é política pública de geração de emprego e contra a insegurança alimentar

Presente em seis cidades mineiras, os chamados entrepostos estão em cidades estratégicas em Minas como Uberlândia, Juiz de Fora, Caratinga, Governador Valadares, Barbacena e Contagem, a Ceasa Minas permite aos mineiros e algumas regiões do Brasil terem acesso à alimentação de verdade, vinda direta do campo.

Além de lucrativa, só em Contagem, a Ceasa Minas tem 44 pavilhões e um Mercado Livre do Produtor. E não para por aí. O local conta ainda com 525 empresas, 2.500 produtores rurais ativos, 1.179 municípios fornecedores e mais de 500 municípios compradores Somente em 2020, as Centrais tiveram receita operacional bruta de R$ 55,758 bilhões e lucro líquido de R$ 5,405 milhões.

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