Banquetaço em Juiz de Fora

Cidades se unem para realizar o Banquetaço; ato contra a extinção do Consea acontece em 15 cidades

Belo Horizonte e Juiz de Fora unidas em uma única causa: lutar contra a Medida Provisória 870/2019, do governo Bolsonaro, que extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Para protestar contra a medida, as
duas cidades, juntamente com outros 13 municípios do país, promoveram um banquetaço como ato de solidariedade com aqueles que necessitam do fornecimento de alimentação pública de qualidade. Em Belo Horizonte o ato aconteceu no Viaduto Santa Tereza, um das áreas mais populares da cidade. Em Juiz de Fora o ato foi em frente ao Cine Theatro Central, no coração da cidade.

O movimento é suprapartidário e conta com apoio de entidades como o MST, além de agentes da sociedade civil que defendem o acesso à boa alimentação. “Não podemos deixar de ter um instrumento tão importante que atua com o monitoramento da qualidade e que ainda garanta o direito à alimentação adequada. Em um cenário do aumento da fome e da má alimentação no país, mais do que nunca é necessário ter a atuação de um conselho como o Consea”, afirma o deputado Betão (PT). 

 

 

Criado em 2017, o Banquetaço tem como intuito de defender o direito humano à alimentação adequada e de qualidade. A primeira edição aconteceu na capital paulista, contra a Farinata/Ração Humana, proposta pelo então prefeito João Doria. Lá a mobilização contou com participantes do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, cozinheiros e ativistas que serviram cerca de 2 mil refeições. A partir deste ano, o movimento se nacionaliza em defesa da participação social na tomada de decisão em políticas alimentares. Como a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e do Manifesto Comida de Verdade, elaborado durante a 5ª Conferência Nacional de SAN, em 2015.

Para Kenia Alves, estudante de nutrição de Juiz de Fora, o temor é que a extinção do órgão prejudique o acesso à boa alimentação e ainda reflita na qualidade dos alimentos produzidos. “Ter um órgão que luta por uma comida de verdade, e pela fiscalização da qualidade do que a gente come, tendo em vista que em alguns alimentos são aplicados agrotóxicos é fundamental. Estamos comendo uma comida muito ‘envenenada’, por isso é fundamental ter um conselho com pessoas que realmente acreditam nisso, que defendam essa alimentação para a população em geral. Isso traz segurança alimentar e qualidade de vida de uma forma muito mais completa do que só se alimentar de fato”, acredita.

O chefe de cozinha Fred Mendes avalia a diferença entre preparar um alimento orgânico e um convencional “A qualidade é diferente. Trabalhar com um produto orgânico é sempre melhor pelo sabor, textura. É sempre melhor usar um produto orgânico, sem agrotóxico. e ainda completa “A maioria dos produtos aqui a gente pegou da fazenda e já trouxe para cozinha e então já vem direto” A conselheira municipal de Juiz de Fora, Ana Cláudia Neres Rodrigues, vê com grande preocupação a extinção do Conselho. “Nesse momento que o Brasil avança para voltar para o mapa da fome, nós temos o fim do Consea e a liberação de mais de 50 tipos de agrotóxicos que eram proibidos no país. Como você enxerga esse cenário para a alimentação do brasileiro”, afirma. 

Entenda o Consea

Criado em 1994, o conselho foi extinto um ano depois, no governo Itamar Franco. Já em 2003, durante o governo Lula o Consea voltou a existir. O conselho atuava como um órgão de assessoramento imediato à Presidência da República e integrava o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). O conselho, contava com a participação da sociedade, sendo composto por dois terços de representantes da sociedade civil e um terço de representantes governamentais. Entre suas atribuições estava a participação na formulação, no monitoramento e na avaliação de políticas públicas voltadas para a garantia do direito humano à alimentação balanceada.

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