Segurança alimentar e nutricional é debatida em conferência regional em Juiz de Fora

Mandato acompanha os espaços de controle social e articula a sociedade civil para integrar a fase estadual, que acontecerá em Belo Horizonte

Com o objetivo de subsidiar políticas públicas e a promoção da soberania e segurança alimentar e nutricional, a Zona da Mata mineira recebeu nessa quarta-feira (09/10) a Conferência Regional da SAN do Território Mata, realizada em Juiz de Fora.

Mesmo com todo o cenário de desestruturação da política nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e a possibilidade de não realização da Conferência Nacional, o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais (Consea-MG) realizou o evento.

“Desde o início do ano o governo federal promove a desestruturação nacional das políticas sobre a segurança alimentar, e um exemplo disso foi a extinção de conselhos como o Consea, fundamentais para o controle social e garantia do direito humano à alimentação de qualidade. Em Minas Gerais, a Frente Parlamentar em Defesa da Agroecologia será um ponto de apoio para essa discussão e meu mandato estará atento às conferências regionais em defesa da promoção da Segurança Alimentar e Nutricional”, reafirma Betão.

A conferência teve participação do mandato do Betão nos espaços de controle social e articulação da sociedade civil para atuação na fase estadual. No evento houve também um debate junto aos delegados para levantar propostas de melhorias do Polo Agroecológico da Zona da Mata e sobre a qualidade de vida e produção de quem preza alimentos saudáveis na zona rural.

Dentre as prioridades dos três eixos de discussão, o destaque foi o fortalecimento em todo o Brasil de estruturas como o Consea. A ideia é fortalecer tanto os conselhos estaduais, quanto os municipais, para que municípios menores, ou que não tenham Consea tenham próximo,  uma estrutura de apoio local ou regional, que não sobrecarregue cidades-polo, como Juiz de Fora (JF). Assim avalia Hugo Bento, presidente do Conselho Municipal de Juiz de Fora.

O professor Luis Carlos do IF de Barbacena, sentiu falta de estudantes e pesquisadores na conferência. “Precisamos ter não só pesquisas, mas também projetos de extensão nas universidades voltadas ao tema. Como professor de nutrição senti falta de acadêmicos neste espaço, que saibam onde replicar essas boas práticas que temos aqui na conferência”, disse Luis.

Programação da Conferência

A mesa de abertura do evento contou com a participação de representantes dos conselhos estadual e municipal (JF), da SEDESE e da Emater–MG. O público pode assistir posteriormente a palestra do técnico agropecuário da Emater – MG, Deyler Maia Souto, que abordou a assessoria técnica e extensão e as ações desenvolvidas no estado com os produtores rurais.

Dentro deste momento de crise e desarticulação do Consea, é fundamental estamos reunidos aqui para desenvolver a soberania e porque queremos assegurar a nutrição da sociedade. Se o produto industrial é cancerígeno, em contraposição temos uma sociedade organizada da zona rural e os programas que resgatam e estimulam a população a ter bons hábitos com alimentos de qualidade”, disse Deyler.

As conferências regionais são preparatórias à 7ª Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (7ª Cesans), cujo tema é “Por Direitos, Democracia e Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional” e está programada para 1 e 2 de dezembro. Organizada pelo Consea-MG, o evento estadual garante a participação da sociedade civil e a gestão intersetorial no Sistema, na Política e no Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável.

Conferência reforça a alimentação saudável

Participantes de municípios do entorno, como Muriaé, Simão Pereira, Goianá, Palma, Santos Dumont e Barbacena, compartilharam alimentos orgânicos, como verduras e sementes crioulas, numa banca improvisada no evento. Por lidar diretamente com crianças e suas respectivas famílias em Santos Dumont, Maria Imaculada dos Santos orienta os responsáveis a produzirem o próprio alimento em hortas familiares. “Muitas vezes enfrentamos dificuldades em conseguir uma adesão da comunidade, mas minha filha encontrou um caminho, na época que o Consea lançou o programa Cozinha Comunitária”, reforça.

Segundo Maria, a filha Julimeire Santos começou plantando apenas couve e saía com um carrinho pra vender no mercadinho vizinho, mas que hoje a realidade é outra. “Agora ela tem um trator e produz para revenda em diversos pontos comerciais”, conta orgulhosa Imaculada, integrante da Comissão Pastoral da Criança em Santos Dumont.

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