Alunos reclamam da falta de suporte do Estado e do cronograma de retorno das aulas; “estamos exaustos”, desabafam estudantes

A matemática de Zema já dá resultados. A soma da falta de diálogo com alunos, pais, responsáveis e educadores, mais a possibilidade de retomada das aulas de forma voluntária no dia 19 de outubro, somado ainda à possibilidade de extensão de um modelo falido de aulas remotas tem como resultado a insatisfação. “Estamos exaustos”, afirma a representante de turma da rede estadual de uma das escolas em Minas Gerais da cidade de Vermelho Novo.

O anúncio veio após o governo ter falado, inicialmente que as aulas seriam retomadas no dia 5 de outubro para cerca de 216 municípios. Horas depois, voltou atrás e recuou para 86 cidades aptas de acordo com a onda verde do Minas Consciente. Hoje, a adesão está vinculada ao programa e de forma voluntária: pais e responsáveis serão obrigados a assumir os riscos ao mandarem seus filhos para as unidades de ensino.

O tema da retomada das aulas e o cronograma  foi discutido hoje pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, que diferente do governo de Minas, tem levado o assunto à sociedade mineira. Apesar do Governo de Minas alegar que cumprirá todos os protocolos sanitários, para o deputado Betão a medida ainda é uma incerteza, tendo em vista postura do atual governo na gestão da pandemia no Estado.

“É um absurdo ouvir de deputados do Partido Novo que a pandemia acabou. Isso é inadmissível, mas condiz com um governo que não soube dar o devido suporte aos alunos e professores, nem aos pais, e que quer deixar nas mãos dos alunos a responsabilidade da volta às aulas. Alunos que relatam diariamente ao nosso mandato estarem cansados, sem acesso à internet e exaustos com a política de descaso com a educação do governo Zema”, afirma Betão, vice-presidente da Comissão de Educação, que irá acompanhar de perto a retomada das aulas e o cumprimento dos protocolos.

Presente na audiência pública de hoje, Geniana Guimarães Faria Subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica da Secretaria de Estado de Educação afirmou:

 “a retomada fica a cargo dos pais e dos alunos. Nós entendemos que neste momento o foco principal para a retomada, que será no dia 19 de outubro, é o ensino médio, público que realmente precisa de um apoio. O retorno dos demais vai ficar à cargo dos pais e alunos e será um movimento gradual, onde os estudantes irão às escolas para a retomada dos materiais, consulta de dúvidas, dentre outras atividades”, afirmou a representante da Secretaria de Estado.

Mas essa tranquilidade passada pela representante do governo Zema não é a mesma vivida pela estudante de Vermelho Novo, Vivian Vitória Gomes de Carvalho, aluna do 3º ano do ensino médio da rede estadual.

“Estamos exaustos. Já estamos indo para o PET 5 e eu sei que muitos colegas meus não terão condições de formar. O calendário escolar termina no ano que vem e até o momento o Estado não deu suporte para gente estudar. Eu mesma, neste momento, não tenho nem computador”, desabafou a estudante que procurou o nosso mandato em busca de ajuda.

Vívian disse ainda que a esperança é que o projeto Passe Livre seja aprovado em breve e que alunos tenham acesso à internet e à estrutura física para acessarem de forma adequada as tarefas e terem também a possibilidade de acesso a aparelhos tecnológicos como suporte para estudo.

Retorno às aulas é motivo de preocupação

Para Laura Costa Oliveira, médica psiquiatra a pandemia exige ainda muito estudo sobre impactos futuros na educação e  na vida das crianças e o Estado tem que incorporar essa metodologia à sua realidade, porque isso já interfere na socialização e no humor das crianças e jovens.

“Eu faço mais de 5 mil atendimentos por ano e já percebo um agravamento dos pacientes em função da pandemia. Como a escola é a base social da criança, a pandemia mudou isso e se você priva a criança do convívio social ela vai sofrer algum tipo de alteração, seja no humor, seja na personalidade”, explica a médica que realizou um trabalho aplicando um questionários mais de 300 questões aplicada à pais e responsáveis para identificar como a pandemia já está afetando jovens e crianças.

Segundo cronograma divulgado pela Secretaria de Estado de Educação, na segunda-feira (5) está prevista a reabertura das escolas estaduais apenas para profissionais da educação para organização do retorno e acolhimento dos alunos.

Já entre os dias 5 e 7 de outubro  haverá uma avaliação diagnóstica on-line voltada para alunos do 3º ano do ensino médio, que começarão a ter atendimento presencial a partir do dia 19 e a previsão é que o dia 30 de janeiro de 2021 seja o término do atual ano letivo.

De acordo com o documento divulgado pela Secretaria de Estado de Educação ontem o ano letivo na rede estadual de ensino ficará da seguinte forma:

📍 será encerrado no dia 27 de janeiro de 2021.
📍 terá recessos escolares no período de:
🔸13 a 16 de outubro,
🔸22 a 24 de dezembro e
🔸28 a 31 de dezembro.

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