Um mês de Minas Consciente e cidades da Zona da Mata têm aumento vertiginoso na contaminação pela Covid-19

Boletins divulgados nos municípios mostram avanço da doença no interior após a  retomada de atividades; Muriaé recua com a flexibilização após avanço de cerca de 500% do número de casos

A interiorização do vírus da Covid-19 em Minas Gerais tem preocupado os governantes de muitas cidades mineiras, principalmente as que aderiram ao programa de flexibilização elaborado pelo governo Zema, o Minas Consciente. 

Alguns desses municípios são de médio e pequeno porte, situados na macrorregião sudeste de Minas, e tiveram um aumento exponencial da contaminação em apenas um mês. É o caso  de Muriaé, que após a flexibilização apontou crescimento de cerca 500% no número de contaminados pela Covid-19.

No dia 15 de maio, os dados oficialmente divulgados pela Prefeitura Municipal mostravam 64 casos de contaminação e 2 óbitos confirmados. Já no boletim epidemiológico de ontem, dia 18 de junho, os números avançaram para 423 casos confirmados da doença e 17 mortes.

Os números colocaram a administração do município em alerta e levaram o prefeito a recuar e anunciar, em um primeiro momento, uma espécie de lockdown, que restringiria horários de funcionamento de atividades comerciais. Entretanto, os serviços continuam com permissão para funcionar, descaracterizando a premissa do confinamento.

O servidor público de Muriaé, Sandro Alves, afirma que a prefeitura se antecipou para evitar a disseminação da doença. “Muito cedo a Prefeitura de Muriaé paralisou o comércio, quando ainda não havia quase nenhum caso de Covid-19”.

Segundo Sandro, depois da pressão da Câmara de Dirigentes Lojistas e a possibilidade de flexibilização que o programa Minas Consciente permite, aparentemente, a prefeitura optou por  um relaxamento nas medidas de isolamento. “As informações desencontradas transmitidas à população pelo poder público também ajudam a fazer com que cada vez mais pessoas estejam circulando pela cidade e com isso o que vemos hoje é um aumento muito grande no contágio e no número de casos confirmados da doença no município”, complementa.

Em Juiz de Fora, cidade polo da macrorregião sudeste, que presta atendimento hospitalar às cidades vizinhas, os casos cresceram cerca de 140%, desde o dia 15 de maio, data de adesão ao programa de flexibilização do governo estadual.

Para Betão, as medidas de isolamento devem ser seguidas com urgência. “Precisamos evitar o colapso do sistema de saúde na região e para isso é necessário que haja consciência quanto à flexibilização das atividades. Além disso, os investimentos do governo estadual em saúde pública para a Zona da Mata ainda são praticamente nulos, e a situação dos leitos disponíveis para tratar a Covid-19 é preocupante”, afirma.

O deputado lembra ainda que as cidades que flexibilizaram tiveram os números da Covid-19 aumentados exponencialmente. “Ontem mesmo o governador voltou atrás e pediu que os prefeitos que aderiram ao Minas Consciente da macrorregião de saúde Centro retornem à onda verde. Isso foi na região central, mas em breve ele vai anunciar isso para a Zona da Mata. E ele diz isso porque sabe que não fez o dever de casa e não preparou o Estado para ter estrutura (testes, leitos, respiradores) para aguentar uma flexibilização deste tipo”, complementa.

“A Prefeitura não tomou iniciativas, dentro do prazo, de colocar uma fiscalização sistemática e consciente, ficou mais preocupada com, ‘obras de final de governo’, com objetivo eleitoral, e deixou de lado a saúde da população. Falta investimento em saúde pública”,  afirma Jair Abreu, vereador de Muriaé pelo PT.

O vereador acredita que o avanço dos casos se deve à falta de conscientização da população e ao processo de reabertura do comércio, feita  de maneira desordenada. Para ele, “é preciso haver políticas públicas que coloquem o isolamento social como principal forma de prevenção ao contágio”, reforça.

Em pouco mais de um mês, Além Paraíba teve um salto de 23 para 110 casos confirmados, totalizando um aumento de cerca de 350%. Para a vice-presidente do PT da cidade, Elizabeth Damasceno, a situação é preocupante.

“Eu acho uma temeridade, no momento em que o número de casos está aumentando no interior, aderir a qualquer tipo de flexibilização. Entendo que as pessoas estão ansiosas, precisando trabalhar, mas as medidas de isolamento devem ser mantidas como forma de prevenção, porque é uma questão da manutenção da vida”, explica.

Longe do Perigo

Já a realidade de Santo Antônio do Aventureiro, distante cerca 30 km de Além Paraíba, é diferente. A cidade não aderiu ao programa de flexibilização do governo estadual e manteve o isolamento social rígido. Com isso, contabiliza apenas 1 caso da doença até agora, crescimento zero em contágios.

“A Secretaria Municipal de Saúde e o Comitê de enfrentamento à Covid-19 optaram por não aderir ao Minas Consciente. Não achamos que é o momento de flexibilizar a abertura do comércio. De acordo com diversos estudos, a flexibilização do isolamento neste momento tende a ser precipitada e arriscada e ainda estamos vendo o aumento no número de casos crescendo de forma muito grande em cidades próximas”, afirma a Secretária de Saúde da cidade Maria Eni Resende Cunha.

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